Brasília - A política industrial do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a sair do papel ontem, com o anúncio de um programa de financiamento para compra de máquinas e equipamentos, o Modermaq, que envolverá recursos de R$ 2,5 bilhões. O governo também informou que vai criar uma agência ou empresa dedicada ao desenvolvimento industrial, uma espécie de ''Embrapa Industrial''. Além disso, pretende trabalhar em articulação com os Estados para implementar o Programa de Extensão Industrial Exportadora.
Esse é apenas um pedaço da política industrial, que envolve medidas dirigidas a todos os setores da economia. Há um outro conjunto de medidas específicas para os quatro setores escolhidos pelo governo (semicondutores, softwares, bens de capital e fármacos e medicamentos) que será anunciado até o dia 31. ''Será dia 31 de março e não 1º de abril'', brincou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.
Nos próximos dias, informou, será divulgado um pacote destinado a atrair investimentos estrangeiros na área de semicondutores. Também estão praticamente prontas as políticas para os setores de software e de fármacos e medicamentos.
Sabe-se que as políticas envolverão, além de financiamentos a juros baixos, facilidades tributárias e, possivelmente, investimentos públicos. O valor total da nova política, porém, não foi informado por Furlan.
Apesar da falta de detalhes, as linhas gerais da política industrial foram bem recebidas pelos integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). ''O tema da política industrial finalmente entrou em pauta'', comemorou o empresário Eugênio Staub, da Gradiente. ''A iniciativa recebeu elogios de todos os setores porque o tema finalmente deixou de ser tabu.'' A professora Sônia Fleury, da Fundação Getúlio Vargas, concorda: ''a retomada do projeto de política industrial é muito bem-vinda.''
Houve, porém, críticas ao fato de o agronegócio não estar incluído entre os setores estratégicos. ''O agronegócio é prioridade do governo, mas consideramos que ele se encontra num estágio de desenvolvimento que independe de políticas de indução'', explicou Furlan.

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