Brasília - Depois de dois anos em que o assunto vem sendo tratado aos trancos e barrancos, finalmente o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem nas mãos todos os instrumentos necessários para tocar a política industrial, a partir de 2005. Na madrugada da última quarta-feira, o Senado aprovou projeto de lei criando a Agência Nacional de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI).
Isso, mais a Lei de Inovação e as Parcerias Público-Privadas (PPPs) formam um conjunto que permitirá dar mais competitividade às empresas e reduzir os gargalos na infra-estrutura. ''Faremos de 2005 e 2006 os anos da execução da política industrial'', assegurou o economista Alessandro Teixeira, que só não será presidente da nova Agência se ocorrer algo totalmente imprevisto.
Teixeira disse que a função da ABDI será desatar os nós que hoje impedem a fluidez da atividade empresarial no País. ''Pode cobrar no fim do ano'', desafiou. ''Agora, temos todos os instrumentos de que precisamos'', concordou o assessor especial do Ministério da Fazenda Edmundo Oliveira.
A aprovação das PPPs na última sessão do ano da Câmara dos Deputados abre caminho para que ocorram investimentos para reduzir os principais gargalos na infra-estrutura. Ela é considerada parte do conjunto da política industrial porque de nada adiantaria dar mais competitividade às empresas e depois perder essa vantagem na falta de logística e nos elevados custos de transportes.
A política industrial é um dos pontos fracos do governo Lula. Até meados do ano, as medidas haviam sido anunciadas mas pouco avanço se viu na prática. A política industrial ganhou mais rapidez com a criação da CNDI, um colegiado de 11 ministros, oito empresários e três sindicalistas que decidiu, entre outras coisas, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre máquinas e equipamentos.
O CNDI se reuniu cinco vezes neste ano sem que tivesse sido criado oficialmente, e tomou decisões de peso. Faltava, porém, uma estrutura de técnicos para colocar em prática as decisões dos ministros e para levar a eles propostas de novas medidas. Esse papel será cumprido pela ABDI. ''O problema não é o que estamos fazendo, é o que estamos deixando de fazer'', disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, quando questionado sobre a necessidade da agência.
Coordenar a escolha das medidas mais importantes para cada setor é uma das tarefas da ABDI. O Ministério do Desenvolvimento já tem mais de 20 Fóruns de Competitividade, cada um tratando de uma cadeia produtiva. Em cada um deles, as prioridades serão escolhidas e levadas para a decisão dos ministros no CNDI.

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