‘Política externa tem olhos postos em primeiro lugar no Brasil’, diz Bolsonaro

O presidente ressaltou também a importância dos emergentes para a vitalidade da economia mundial

Ricardo Della Coletta e  Patrícia Campos Mello - Folhapress
Ricardo Della Coletta e Patrícia Campos Mello - Folhapress

Brasília - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (14) que a política externa do seu governo "tem os olhos postos no mundo, mas em primeiro lugar no Brasil".  


A declaração de Bolsonaro ocorreu no âmbito da cúpula dos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), realizada em Brasília. 




Em foto oficial, Cyril Ramaphosa (África do Sul), Narendra Modi (Índia), Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia) e Jair Bolsonaro
Em foto oficial, Cyril Ramaphosa (África do Sul), Narendra Modi (Índia), Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia) e Jair Bolsonaro | Marcos Corrêa/PR
 


"A política externa do meu governo tem os olhos postos no mundo, mas em primeiro lugar no Brasil. Para estar em sintonia com as necessidades da nossa sociedade, ajudar a ampliar o bem-estar dos nossos cidadãos. Sob a forma de avanços em ciência, tecnologia e inovação, de mais e melhores empregos, mais renda, melhor sistema de saúde pública. Tudo mais que faça diferença para melhorar o cotidiano de todos", disse o presidente. 


Viajaram a Brasília para participar da cúpula dos presidentes Vladimir Putin (Rússia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul), além do premiê Narendra Modi (Índia) e do dirigente da China, Xi Jinping.  


O Brasil manteve neste ano a presidência dos Brics, tarefa que em 2020 caberá à Rússia. 


Apesar da defesa por uma política externa "que tenha os olhos postos em primeiro lugar no Brasil", algo que lembra o lema "os EUA primeiro" do presidente Donald Trump, Bolsonaro fez uma defesa enfática da relevância dos Brics durante sua fala.  


Ele disse que o bloco foi criado há mais de 10 anos, em meio a uma grave crise internacional, e que desde então "tornou-se evidente a importância das economias emergentes para a vitalidade da economia mundial".  


"Hoje a relevância econômica dos Brics é ainda mais inquestionável e seguirá crescendo nas próximas décadas. A sua pujança no plano econômico, junto à diversidade, criatividade e o vigor das nossas sociedades e povos. Esses valiosos ativos constituem a matéria-prima para proveitosa cooperação dos nossos países", pontuou.  


Bolsonaro também afirmou que o Brasil e os demais países do Brasil coincidem na defesa de uma "governança global mais inclusiva".  


Na quarta-feira (13), em eventos que também ocorrem no âmbito dos Brics, os demais chefes de governo e suas delegações defenderam o sistema multilateral. A China, por exemplo, fez um apelo pela defesa das regras de comércio internacional. 


 


Brics falam em crise no Sudão, Iêmen, Coreia do Norte e Líbia, mas ignoram Venezuela e Bolívia 


Brasília - A declaração final da cúpula dos Brics aborda a crise humanitária no Sudão, a guerra no Iêmen, a ameaça nuclear na Coreia do Norte e o conflito na Síria -mas não tem nem uma única menção à Venezuela e à Bolívia, países vizinhos ao Brasil que vivem turbulências políticas e econômicas. 


O Itamaraty argumenta que apenas assuntos "de envergadura global" são incluídos em declarações dos Brics. A crise venezuelana já gerou um êxodo de 4 milhões de refugiados. 


Segundo a reportagem apurou, o Brasil nem sequer tentou incluir no documento menções às crises na Venezuela e na Bolívia, sabendo que não conseguiria um consenso mínimo. 


O Brasil está isolado ao reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, enquanto todos os outros países reconhecem como legítimo o regime do ditador Nicolás Maduro. 


Em relação à Bolívia, o Brasil não considera que a renúncia de Evo Morales tenha sido provocada por um golpe de Estado, ao contrário do governo russo. A China também era aliada próxima do governo Evo. 


Venezuela não entrou no texto, mas o Brasil insistiu e conseguiu emplacar uma menção à perseguição às minorias religiosas na Síria. "Também expressamos preocupação com o sofrimento de comunidades e minorias vulneráveis étnicas e religiosas [na Síria]", diz o comunicado. 


Cristãos e yazidis sofrem perseguição no território sírio. O tema é caro à bancada evangélica e se tornou prioridade da política externa do Brasil. 


O país se uniu aos EUA na Aliança Internacional para Liberdade Religiosa. A cooperação na ofensiva contra a discriminação religiosa no mundo é considerada ponto-chave da parceria estratégica entre os dois países. A iniciativa visa a defender todas as religiões, mas o tema foi abraçado especialmente por evangélicos e católicos mais atuantes. (P.C.M. e R.D.C./Folhapress)


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