Política econômica deve ser a mesma em 2007
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de dezembro de 2006
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
Os juros altos que foram os vilões da economia em 2006 - sem contar a onerante carga tributária - devem continuar atormentando a vida do empresariado no próximo ano, segundo previsão de contabilistas londrinenses. ''Os empresários estão endividados e vão terminar o ano tentando pagar essas contas. E, o maior obstáculo do ano foram as taxas de juros'', afirmou José Joaquim Ribeiro, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços, Contabilidade, Auditoria e Perícias de Londrina (Sescap-Ldr).
Em visita à Folha, ontem à tarde, Ribeiro e outros seis integrantes do Sescap destacaram que com a reeleição do presidente Lula a política econômica do País deverá permanecer a mesma em 2007, dificultando os investimentos do setor empresarial. ''O governo federal priorizou o social, as classes baixas e esqueceu a classe média e o micro e pequeno empresário, e isso deve continuar no próximo ano'', lamentou o contabilista Claudenir Tarifa Lembe.
Na opinião do contabilista Paulo Caetano, além dos juros altos, o governo federal penalizou os pequenos e médios empresários com a carga tributária excessiva. E a previsão feita pelo segmento contábil não aponta para uma melhora. ''A Lei Geral - prevista para entrar em vigor em 2007 e que prevê a redução de alguns impostos - não deve resolver todo o problema, vai beneficiar apenas as empresas de serviço. O certo seria uma reforma tributária ampla, com a cobrança de impostos que o empresário possa pagar, não se endividar e prosperar'', salientou Caetano.
Para o contabilista Nivaldo Lopes, uma boa medida do governo seria desonerar os impostos previdenciários. ''A medida aliviaria o bolso do empresário'', adiantou. ''Esse é apenas um dos problemas que todos os dias ouvimos dos empresários que são nossos clientes. O problema do setor é grande'', observou Lopes.
Segundo Ribeiro, o governo federal poderia adotar medidas como a do governo estadual, que reduziu o ICMS para alguns setores produtivos, para ajudar o empresariado. ''O País pode se desenvolver, mas tem que haver incentivos e investimentos por parte do governo federal, redução de gastos públicos e atenção à classe média'', completou o contabilista. Em contrapartida, de acordo com ele, um dos problemas de âmbito estadual e que tem impedido o desenvolvimento da economia é a cobrança de pedágio. ''É um dinheiro alto que o empresário precisa desembolsar'', pontuou Ribeiro.
No âmbito municipal, algumas medidas também poderiam ser colocadas em prática para melhorar a economia, conforme os contabilistas. As ações vão desde a ampliação do aeroporto - pedido recorrente - continuação das obras paradas, a ativação do porto seco, incentivos fiscais para atrair empresas até comunicação entre poder público e empresários. ''Além disso, é preciso fazer alguma coisa para levantar a auto-estima da cidade. Londrina está feia, suja, cheia de buracos na rua, faixas de pedestres e de sinalização mal pintadas. Desse jeito não atrai nenhum empresário'', comentou Lembe.


