A política de juros, a carga tributária, a política cambial e a falta de infra-estrutura interna estão dificultando as exportações das empresas paranaenses. A conclusão é do professor de Economia Vanderlei José Sereia, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que há quatro anos estuda os complexos agroindustriais do Paraná. Já foram avaliados, em termos de exportações, as cadeias soja, carne, madeireira e papeleira, café e laranja.
''A voracidade da carga tributária está criando dificuldades para o setor'', afirma Sereia. No entanto, variáveis como a política cambial e de juros também influenciam negativamente. A desvalorização do dólar frente ao real encarece os produtos nacionais, favorecendo as importações. Os altos juros internos também fazem com que as empresas fiquem sem condições de manter o capital de giro e de recorrer a empréstimos para investir em obras de melhorias em sua estrutura.
Inicialmente, o professor estudou todos os complexos agroindustriais do Estado para compor sua dissertação de mestrado. Depois disso, esse trabalho foi transformado em um projeto de pesquisa da UEL que está avaliando separadamente cada setor da economia. Conforme a pesquisa, a cadeia da soja e de seus subprodutos é o setor mais importante do agronegócio paranaense, seguido pela carne, madeireiro e papeleiro, café e laranja.
O complexo carne - formado por bovinos, suínos e aves - representa cerca de 12% do total das exportações paranaenses. No ano passado, o comércio exterior rendeu cerca de US$ 9 bilhões. No entanto, o Paraná ainda exporta carne de cavalos, ovinos, patos e perus, porém, pouco representativa. A produção de carne no Estado é dispersa e atinge, principalmente, os mercados europeu, asiático e do Oriente Médio.
No caso dos frangos são exportados carcaças, pedaços e miúdos resfriados e congelados. A concentração maior de abatedouros está nas regiões Oeste e Norte. ''O complexo da carne de frango gera muitos empregos, na zona rural e nas indústrias. A cadeia ainda produz ração e insumos para a criação dos frangos'', comenta. Somente a indústria dos frangos representa 7% do total de exportações.
A criação de bovinos também é representativa. Embora o rebanho esteja bem distribuído no Estado, os principais focos de criação são o Norte Velho e o Noroeste. A raça mais utilizada para o abate é a nelore. Já os frigoríficos estão localizados no Norte Velho e no Norte. As exportações somam entre 4% e 5% do total. A maior parte do comércio é de cortes nobres e miúdos. Embora em menores proporções, neste último caso, a utilização é para fabricação de medicamentos na Ásia e na União Européia.
Já a criação de suínos está mais concentrada na Região Oeste. As exportações de suínos representam entre 0,6% e 0,7% do total. A maior parte do comércio é feito com a Rússia, que tem preferência pelas meia carcaças congeladas. No geral, os animais abatidos para a exportação são os mesmos dirigidos ao mercado interno. ''Foram feitos alguns ajustes genéticos, mas a carne hoje tem menos gordura, apenas uma camada estreita'', explica Sereia.
Segundo ele, essa é a diferença entre a carne brasileira e a européia e a americana. As duas últimas são ''marmorizadas'' (a gordura fica entremeada à carne). ''Já há uma tendência de alteração dos hábitos dos europeus e americanos porque é mais difícil retirar a gordura da carne marmorizada e eles estão buscando alimentos mais saudáveis'', explica. Ele acrescenta que o Brasil ganhou mercado devido às doenças que atingiram os outros países produtores como a vaca louca (que surgiu nos Estados Unidos e na Inglaterra) e a gripe do frango (nos países asiáticos).

mockup