De São Paulo – O mercado financeiro dá o pontapé inicial aos negócios do novo mês, que começa hoje, sem clara tendência, principalmente no segmento de ações. O que parece claro é que os mercados não terão como escapar da agenda política, bastante carregada esta semana. A expectativa dos investidores estará voltada às votações previstas na Câmara e a eventos na área política ligados às eleições.
Deve atrair o interesse do mercado o esforço da Câmara para tentar desobstruir a pauta de votações e pôr em análise os destaques da emenda que prorroga a vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF). Mas, ainda que as iniciativas parlamentares sejam bem-sucedidas, a tendência é que a emenda da CPMF seja votada na Câmara apenas na segunda quinzena do mês para só depois ser analisada pelo Senado.
Nessa questão, o governo corre contra o tempo, porque o atraso na votação da CPMF vai reduzir substancialmente a arrecadação do Tesouro. Além de tentar fazer andar a votação da CPMF, o governo já estuda a possibilidade de reduzir o intervalo entre a votação final e a retomada de cobrança da contribuição ou o aumento de outros impostos. O que está em jogo, no caso, é o equilíbrio fiscal das contas do governo e o cumprimento da meta de superávit primário (receitas menos despesas, sem incluir a conta de juros) firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Outro evento político, embora aparentemente sem impacto no mercado financeiro, será o término do prazo de desincompatibilização, na sexta-feira, de políticos ocupantes de cargos públicos, incluindo ministros, governadores e prefeitos, que pretendem concorrer às próximas eleições.
Entre todos os assuntos políticos, no entanto, o que deve chamar a atenção do mercado serão os comentários e especulações sobre resultados de pesquisas eleitorais. O mercado de ações, principalmente, está bastante sensível a dados sobre as preferências eleitorais e os sinais de alta do candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva e estabilidade do candidato tucano, José Serra, já provocaram desconforto nos investidores.
As incertezas políticas em relação à corrida presidencial, que já alimentam instabilidade na bolsa, não têm afetado os negócios no câmbio e tampouco pressionado os preços do dólar. Persiste o fator de baixa traduzido na continuidade do forte ingresso de recursos externos no País em que nem o risco de disparada do dólar na Argentina tem provocado maior inquietação no mercado de dólar. A idéia é que a ampla oferta mantenha a moeda norte-americana em relativa estabilidade de preços.

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