Brasília - O presidente em exercício, José Alencar, discordou ontem da avaliação do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, de que é necessária a manutenção da política de juros altos para combater a inflação.
A uma pergunta de um jornalista se este é realmente o caminho, Alencar respondeu: ''Este é o caminho da morte.'' Alencar fez a declaração em entrevista no Palácio do Planalto, após a cerimônia de comemoração dos dois anos da chamada Lei Maria da Penha, que pune a prática de atos de violência contra mulheres.
Em abril deste ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou o ciclo de aperto monetário da taxa básica de juros. Entre aquele mês e julho, quando ocorreu a última reunião do Copom, a Selic foi elevada em 1,75 ponto porcentual.

Rentabilidade
O aumento do custo de captação, as mudanças nas regras do Banco Central para as tarifas e o cenário externo adverso colaboraram para a queda na rentabilidade dos principais bancos privados do País, no primeiro semestre do ano. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio do Bradesco no primeiro semestre ficou em 25,8%, três pontos percentuais abaixo do registrado em igual período do ano passado. No Itaú, a queda foi idêntica, para 27,5%. A exceção foi o Unibanco, que ficou praticamente estável em 25,9%, alta de 0,8 pontos.
Desde o começo do ano os bancos vem apresentando queda na rentabilidade, depois de resultados expressivos nos últimos anos. E os analistas acreditam que dificilmente a rentabilidade volte para patamares anteriores no curto prazo. ''Os retornos brasileiros já são bastante altos. E com o aumento da concorrência, é difícil voltar aos patamares anteriores'', afirma a analista da SLW, Kelly Trentin. Ela lembra que em outros países os retornos são mais baixos. A queda na rentabilidade dos bancos brasileiros está longe de indicar um problema financeiro das instituições. ''No ano passado os bancos cresceram vigorosamente, mas isso não quer dizer que nesse ano os resultados foram ruins''.

mockup