Curitiba - Apesar das turbulências econômicas internacionais, o Brasil não terá alterações na política financeira nacional. O Risco Brasil não deverá crescer, as taxas de inflação permanecerão inalteradas e a política de queda dos juros permanecerá. Pelo menos, esta é a visão governamental. Em entrevista coletiva ontem, em Curitiba, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu que o Brasil tem uma economia estável e que passará, no máximo, por alguns ajustes.
Um reflexo sentido pelo País da crise internacional seria a queda na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). ''Numa economia globalizada, com fluxos financeiros elevados, periodicamente vai haver algum tipo de turbulência. Os ajustes de ativos são normais nos países contemporâneos. Mas posso garantir que nunca o Brasil esteve tão sólido para enfrentar os problemas do mercado internacional como agora'', disse o ministro.
Mantega confessou que a política de câmbio nacional tem atrapalhado os empresários brasileiros que investem em exportação. Esse seria, inclusive, o maior entrave financeiro para o País. Entretanto, o câmbio não poderá ser alterado por ser um reflexo da vitalidade brasileira. ''Significa que temos uma situação confortável, com superávit comercial. Temos que pensar em políticas de compensação para tornar a indústria de transformação mais competitiva no mercado internacional. Algo que compense uma sobrevalorização do dólar'', analisou.
O ministro não pretende usar artificialismos, como um câmbio fixo. A saída seria a manutenção da política de redução de juros, aumento das importações (para ter um saldo comercial menor), barateamento do custo da infra-estrutura e redução de carga tributária. ''Continuaremos a fazer reservas de dólares. Não existe um limite. Hoje temos US$ 100 bilhões. Eu acho que o Brasil tem que se acostumar com o dólar valorizado. Esse é o preço de uma economia estável'', confidenciou.
Um dos pontos defendidos por Mantega é a redução da carga tributária nacional. O ministro concordou que uma carga tributária de 38,8% do Produto Interno Bruto (PIB) não pode ser considerada como normal. ''Temos que reduzir a carga tributária. Isso é fundamental para o crescimento do Brasil. E vamos fazer isso. A reforma tributária é apenas um passo para isso'', garantiu ele.
Mantega esteve em Curitiba para debater o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal com empresários e o Conselho de Desenvolvimento e Sustentabilidade -presidido pelo ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, também foi convidado para participar da rodada de debates.

mockup