RIO - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê um saldo comercial negativo para este ano de US$ 6,5 bilhões. Apesar disso, os economistas do departamento de Comércio Exterior (Decex) da entidade acreditam na manutenção da atual política cambial. Segundo sua avaliação, não há dificuldade aparente para o financiamento do déficit de transações correntes.
Por esse motivo, segundo Maria Perpétuo, coordenadora do Boletim de Comércio Exterior da CNI, divulgado ontem, está afastada no curto prazo a possibilidade de adoção de medidas drásticas, notadamente no que se refere a uma maior desvalorização real da taxa de câmbio, dado seu impacto negativo sobre os preços externos. ‘‘O governo está dando prioridade absoluta ao programa de estabilização, por isso não deve promover uma mudança na política cambial’’, disse a economista.
Segundo ela, as especulações sobre uma aceleração das desvalorizações cambiais reacenderam diante da expectativa de um elevado déficit comercial em dezembro, de cerca de US$ 1,5 bilhão, associado às previsões de um déficit comercial neste ano superior ao de 1996, prejetado em US$ 5,2 bilhões.
Tanto as exportações como as importações registrarão crescimento, conforme o Departamento de Comércio Exterior (Decex). As exportações poderão atingir cerca de US$ 52 bilhões, como reflexo das medidas de estímulo adotadas pelo governo, enquanto as importações deverão chegar a US$ 58,8 bilhões.
Os economistas do Decex acreditam que as dificulades de operacionalização encontradas atualmente para importação através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) são passageiras e devem ser creditadas à amplitude do projeto e ao pouco tempo treinamento dado aos técnicos que operam o sistema.
A CNI enfatiza que o Siscomex elimina a coexistência de controles e sistemas de coleta de dados paralelos, ao adotar o fluxo único de informações. ‘‘O Siscomex contribuirá para redução do custo Brasil, uma vez que acelerará as operações de comércio exterior’’, disse Maria Perpétuo.

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