Política cambial não muda, prevê CNI
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sábado, 11 de janeiro de 1997
Agência Estado 
RIO - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê um saldo comercial negativo para este ano de US$ 6,5 bilhões. Apesar disso, os economistas do departamento de Comércio Exterior (Decex) da entidade acreditam na manutenção da atual política cambial. Segundo sua avaliação, não há dificuldade aparente para o financiamento do déficit de transações correntes.
Por esse motivo, segundo Maria Perpétuo, coordenadora do Boletim de Comércio Exterior da CNI, divulgado ontem, está afastada no curto prazo a possibilidade de adoção de medidas drásticas, notadamente no que se refere a uma maior desvalorização real da taxa de câmbio, dado seu impacto negativo sobre os preços externos. O governo está dando prioridade absoluta ao programa de estabilização, por isso não deve promover uma mudança na política cambial, disse a economista.
Segundo ela, as especulações sobre uma aceleração das desvalorizações cambiais reacenderam diante da expectativa de um elevado déficit comercial em dezembro, de cerca de US$ 1,5 bilhão, associado às previsões de um déficit comercial neste ano superior ao de 1996, prejetado em US$ 5,2 bilhões.
Tanto as exportações como as importações registrarão crescimento, conforme o Departamento de Comércio Exterior (Decex). As exportações poderão atingir cerca de US$ 52 bilhões, como reflexo das medidas de estímulo adotadas pelo governo, enquanto as importações deverão chegar a US$ 58,8 bilhões.
Os economistas do Decex acreditam que as dificulades de operacionalização encontradas atualmente para importação através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) são passageiras e devem ser creditadas à amplitude do projeto e ao pouco tempo treinamento dado aos técnicos que operam o sistema.
A CNI enfatiza que o Siscomex elimina a coexistência de controles e sistemas de coleta de dados paralelos, ao adotar o fluxo único de informações. O Siscomex contribuirá para redução do custo Brasil, uma vez que acelerará as operações de comércio exterior, disse Maria Perpétuo.


