Polinização ameaçada
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terça-feira, 16 de agosto de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 

São Paulo - A força do agronegócio brasileiro traz situações drásticas para os apicultores. O uso de defensivos de forma indiscriminada tem gerado a mortalidade de abelhas em diversas regiões do País, o que prejudica a polinização e, claro, a produtividade, principalmente na fruticultura. Este caminho perigoso fez o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg) desenvolver uma ação para atenuar o cenário de rispidez entre produtores e apicultores. A entidade representa 98% do mercado de defensivos e tem em torno de 45 empresas associadas.
Desde o ano passado, o Sindiveg trabalha com o Projeto Colmeia Viva, buscando promover o uso correto de defensivos agrícolas e o respeito à apicultura, protegendo as abelhas e o meio ambiente.
O primeiro passo já foi dado no ano passado com o início do Colmeia Viva - Mapeamento de Abelhas Participativo, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e Universidade do Estado de São Paulo (Unesp). Entidades, produtores e apicultores de São Paulo relatam perdas por meio de um canal de telefone gratuito (0800 771 8000). "Eles participam quando encontram colmeias não identificadas em sua propriedade, em caso de incidente com abelhas e aplicação de defensivos e se precisarem de orientação sobre boas práticas de convivência entre a atividade agrícola e apícola", explica a especialista em uso correto e seguro do Sindiveg, Paula Arigoni.
O projeto piloto teve início em junho de 2014 e seguiu até maio do ano passado, quando o canal gratuito foi aberto com os produtores. Após a ligação, o Sindiveg consegue enviar a um laboratório capaz de identificar mais de um tipo de resíduo de defensivo nas abelhas, sem custos ao produtor ou apicultor. O participante, então, recebe um kit com a análise, recomendações gerais, num processo que pode levar até 60 dias. "O nosso objetivo é criar um plano de ação nacional com estratégias práticas para melhorar esse cenário, que está muito ligado ao uso incorreto e não registrado de defensivos agrícolas", exemplifica a representante da entidade.
Apesar de parecerem dois lados bastante difíceis de conviver, Paula relata que em algumas culturas já é possível trabalhar com a aplicação de agrotóxicos sem prejudicar o habitat e matar as abelhas. "Algumas culturas como melancia, maçã, morango e maracujá utilizam os defensivos para controlar as pragas e as abelhas estão juntas, com papel na produtividade. No caso do melão, existem propriedades que já aplicam os produtos na lavoura no período no noturno, enquanto as abelhas estão dormindo."
A vice-presidente executiva do Sindiveg, Silvia Fagnani, enfatiza que entender quais fatores contribuem para a perda das abelhas é o primeiro passo para uma relação mais produtiva entre agricultura e apicultura. "Quanto mais pessoas no campo tiverem acesso ao número 0800 do projeto, maior será a abrangência do mapeamento almejado por esta iniciativa inédita", finaliza.


