A Delegacia de Estelionatos de Curitiba recebeu ontem documentos encaminhados pelo Banestado/Itaú que deverão colaborar para elucidar o caso do sumiço de dinheiro de correntistas do banco. São mais de 800 papéis e relatórios que trazem informações sobre a movimentação financeira dos clientes e de procedimentos internos ocorridos no Banestado. A delegacia abriu inquérito policial em meados de junho para descobrir como desapareceram cerca de R$ 250 mil de pelo menos 74 pessoas que trabalham com o banco em Curitiba e Londrina.
Os lesados prestaram queixa na polícia e depois que o caso veio à tona, o Banestado concordou em indenizar os clientes. A maioria das contas teve saques de dinheiro no feriado de Corpus Christi, em junho, sem o conhecimento dos correntistas, como eles mesmos alegam. O banco não admite que tenha ocorrido falha em seu sistema operacional e também não aceita a hipótese de que funcionários possam estar envolvidos em fraudes.
A diretoria de Relações Institucionais do Banestado/Itaú tem divulgado que a hipótese mais provável é a de ação de quadrilhas ou mesmo o simples descuido de clientes que fornecem suas senhas bancárias a outras pessoas. ‘‘A Febraban (Federação Brasileira das Associações dos Bancos) elaborou uma fita de vídeo que relata todas as possibilidades de ocorrer problemas’’, disse ontem o diretor de Relações Institucionais, Aldous Galletti.
Na Delegacia de Estelionato, a justificativa do banco soa estranho. ‘‘Problemas de desaparecimento de dinheiro da conta de clientes ocorrem em todos os bancos. Mas são situações esporádicas e isoladas. O que tivemos no Banestado foi algo diferente’’, disse ontem o delegado Cícero José.
O delegado, que havia reclamado da conduta do banco - que demorou para fornecer os documentos necessários para a investigação-, disse que a situação mudou com a entrega dos dados solicitados. ‘‘Agora poderemos dar continuidade ao inquérito’’, afirmou.
Segundo o delegado, o desaparecimento de dinheiro de contas do HSBC detectado em Foz do Iguaçu é um caso isolado daquele município e não houve queixa semelhante em Curitiba. O delegado de Foz, Alexandre Macurin, entrou em contato com a delegacia de Curitiba para que possam trabalhar em conjunto.

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