Polícia ouve acusados de cartel
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de outubro de 2002
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Policiais da Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcon) começaram a ouvir, ontem, os donos de postos de combustíveis de Curitiba, acusados de formação de cartel no setor. Serão ouvidos, em média, de cinco a seis donos de postos por dia, devendo totalizar mais de 200 donos de postos que vão prestar depoimento na delegacia.
A Delcon está investigando denúncia, já constatada pela Coordenadoria de Defesa do Consumidor (Procon) e pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), de que os preços dos combustíveis praticados na cidade são os mesmos nos estabelecimentos, com diferença mínima de centavos entre eles.
Foi previsto para ontem o depoimento de quatro empresários. Mas somente três deles compareceram. O empresário ausente marcou novo depoimento para o próximo dia 17. Eles negaram a prática de cartel. O empresário Marcelo Pinheiro Bertoldo, dono de quatro postos de combustíveis, em Curitiba, explicou que não há como fugir dos preços parecidos na bomba, se os custos de todos eles são semelhantes.
Segundo Bertoldo, 98% dos preços de venda nos postos de combustíveis são representados por custos iguais, oriundos do pagamento a fornecedores que constituem verdadeiros monopólios como a Petrobras, Copel, Sanepar e também os salários, já que os estabelecimentos seguem os acordos das convenções coletivas realizados entre os sindicatos patronal e dos trabalhadores.
Com custos iguais, os postos acabam seguindo a concorrência da região. Quando um abaixa o preço, o outro segue. Quando um aumenta o outro adota o mesmo procedimento, admite o empresário. Mas ele considera injusta a acusação de que essa prática constitua formação de cartel porque a margem de lucro dos postos de combustíveis que trabalham na formalidade varia entre 2% a 3%. ''Trata-se de uma margem muito pequena para acusar o setor de formação de cartel'', justificou.
Bertoldo lamentou que a polícia não tenha estrutura suficiente para fazer uma verdadeira investigação nos postos de combustíveis que sonegam impostos e fazem adulteração de combustíveis. Segundo o empresário, os postos que sonegam impostos conseguem ganhos líquidos de até 30% e quem adultera, dependendo da quantidade de solvente consegue uma margem de lucro acima de 15%.


