O delegado da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), Alan Henrique Flore, interrogou ontem três dos sete empresários do setor de combustíveis presos há uma semana, por suspeita de formação de quadrilha, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos. Dois deles Luís Bolognesi e Maxwel Pavesi alegaram não haver nenhuma irregularidade com notas fiscais referentes à compra de combustíveis, porém Sérgio Goes de Oliveira admitiu já ter adquirido, em algumas ocasiões, combustiveis sem notas fiscais.
''Isto está evidenciado nas provas que já colhemos no inquérito'', declarou o delegado, que vai interrogar hoje mais três empresários: Carlos Roberto Kobayashi, Luciano Monteiro Breda, Nilton Rodrigues da Silva. Um outro, Fábio Ribeiro da Fonseca, que também está preso,já havia sido interrogado na sexta-feira.
Os interrogatórios duraram a tarde toda e, segundo o delegado, o contéudo das declarações ainda não podem ser divulgados inteiramente para não atrapalhar as investigações. Sobre as duas amostras de gasolina que aporesentaram adulteração nos exames realizados na UEL, um dos suspeitos (Pavesi) disse ao delegado que foi em razão da chuva que teria invadido o tanque subterrâneo. Os sete envolvidos nas denúncias investigadas pela PIC tiveram a prisão temporária prorrogada no sábado até a próxima quinta-feira. Se até lá, eles não tiverem a prisão relaxada pela Justiça a pedido de seus advogados, automaticamente poderão ser colocados em liberdade. A prisão temporária é solicitada para que a polícia possa investigar melhor as acusações. A partir de quinta-feira, os empresários só poderão permanecer presos se houver pedido e decretação de prisão preventiva.
Ontem, o promotor Leonir Batisti encaminhou mais cinco amostras de gasolina, coletadas nos postos dos envolvidos nas denúncias, para exames na UEL. O promotor enfatizou que está evidente a supressão de tributos nesses postos. ''Acontecia a supressão de tributos de forma clara. Insisto que, para isso, eles formaram uma verdadeira quadrilha'', declarou. Assim que o inquérito estiver concluído, o promotor vai oferecer a denúncia, que dará início a uma ação criminal.
Afastamento O juiz da 1 Vara Criminal, João Luiz Clève Machado, que deferiu os pedidos de prisões temporárias dos empresários, solicitou ontem o afastamento do caso alegando acúmulo de trabalho no Tribunal do Júri. ''Além disso, conheço alguns dos envolvidos e achei por bem me afastar do caso'', disse. O juiz substituto, Delcio Miranda da Rosa, deve assumir o processo.

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