Curitiba - A Polícia Civil indiciou 20 pessoas, entre empresários, políticos e trabalhadores envolvidos com a paralisação de cinco dias do Porto de Paranaguá no mês passado. O inquérito que investigou a greve no porto foi dirigido pelo delegado Messias Antônio da Rosa, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), e será enviado ao Ministério Público (MP) federal e ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, em Porto Alegre.
Entre outros, o inquérito indiciou o prefeito de Paranaguá, Mário Roque (sem partido), o deputado estadual Valdir Leite (PPS) e o empresário Mauro Marder, do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP).
O inquérito policial teve como base a legislação do Código Penal e da Lei de Segurança Nacional. Os envolvidos foram indiciados por formação de quadrilha, incitação ao crime, suspensão de trabalho que provocou paralisação de atividade de interesse público e também de prática de sabotagem. O inquérito concluiu que o movimento queria a exoneração dos administradores do porto para facilitar a exportação de produtos transgênicos.
A conclusão do inquérito provocou surpresa e indignação entre os envolvidos. O prefeito Mário Roque disse que agiu como mediador do movimento e trabalhou para conciliar os interesses dos envolvidos. Disse que promoveu três reuniões com o o governador, empresários e trabalhadores do porto que resultou no fim do movimento. Ele considerou uma falta de respeito do governo do Estado o seu indiciamento.
O deputado Valdir Leite disse que não houve crime porque o movimento foi da cidade inteira. ''Além disso, foram indiciadas as pessoas erradas'', acrescentou. O deputado disse que sempre vai participar de manifestações de interesse da população e sempre vai criticar quando houver casos de incompetência de órgãos públicos. ''Não posso ser tachado de criminoso por isso'', completou.
O empresário Mauro Marder, do TCP, disse que estava surpreso com o desfecho da ação policial. Segundo ele, foi chamado à polícia para depor como testemunha e foi o que fez. Além disso não sabe por que foi indiciado uma vez que o terminal de contêineres não paralisou nem durante a greve.
O Porto de Paranaguá é o maior terminal para embarque de grãos do mundo e segundo maior gerador de divisas cambiais no País. No ano passado, foi responsável pela entrada de US$ 6 bilhões em divisas cambiais para o Brasil.
Com a paralisação de seis dias em março, o prejuízo total estimado foi de US$ 75 milhões, ou seja, US$ 1,5 milhão para cada dia em que o porto não funcionou.

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