Polícia flagra outro desvio de soja
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segunda-feira, 31 de maio de 1999
Vânia Casado 
A Polícia Federal flagrou outro desvio de soja, ontem, em Paranaguá. Trata-se de uma carga com 80 toneladas que estava escondida no terminal de contêiner Transtecon. A carga não tinha documentação informando a procedência e o destino, o que comprova o desvio. Além disso, estava pronta para ser interiorizada novamente, ou seja, para ser enviada de volta para ser esmagada aqui no país. A mercadoria ficará sob a guarda de um fiel depositário.
O responsável pela empresa foi preso e seu nome mantido em sigilo pelo delegado José Augusto Mello Chueire. A Folha apurou que o nome do proprietário do terminal é Cláudio Geraldo Magain, que não se encontrava na empresa.
Como funciona Na operação de desvio, a carga de soja é preparada como se fosse para exportação mas, depois é escondida em algum terminal. Em seguida, a carga é enviada novamente para o interior do país, sem documentação. O delegado disse que por enquanto está flagrando os satélites menores, mas que em breve chegará aos astros maiores, que são os terminais de exportação.
Segundo Chueire, o depoimento do responsável pela Transtecon não convenceu a polícia federal. Ele não soube dizer como a soja em grão foi parar num terminal de contêiner que não tem nada a ver com exportação de soja. Ele disse apenas que alguém deixou a soja lá. Com o depoimento de ontem, Chueire disse que está no caminho certo e que já foi identificado o envolvimento de oito ou dez pessoas no comando do desvio de soja no porto de Paranaguá.
Chueire destacou que se trata de um trabalho muito difícil para a PF porque envolve grupos fortes e poderosos. Só tem milionário nisso, avaliou. Ele disse não ter dúvidas que se trata de um crime organizado que afeta a imagem do país, do Paraná e do porto de Paranaguá, em particular. O delegado disse ainda que muitas importadoras estão evitando a compra de soja com escoamento pelo porto de Paranaguá.
Desvio é velho O desvio de soja em Paranaguá vem ocorrendo desde o ano passado. A PF apurou que em 1998 foram desviadas 20.000 t de soja e agora está apurando mais casos de desvios. A Folha foi informada que o governador Jaime Lerner já recebeu uma carta-denúncia sobre o desvio de soja no porto. A assessoria do governo disse que desconhece. Mas disse que se o governador recebeu a carta de forma sigilosa, também deve ter acionado os órgãos competentes de forma sigilosa.
A Receita Federal também está envolvida na apuração de desvio de soja. O inspetor da alfândega, André Luiz da Rocha Pombo, disse que foi nomeada uma comissão de peritos para dar continuidade a investigação iniciada por João Alberto N. de Souza, coordenador da Operação Safra 99, cuja família foi ameaçada de morte. O fiscal foi afastado do caso, com licença temporária, e será substituído por uma equipe que vai intensificar a fiscalização nos terminais de exportação de grãos, que operam em Paranaguá.


