Polícia Federal investiga omissão do BC
Ministério Público e PF procuram responsabilidade de funcionários do Banco Central na fraude que escondeu rombo de R$ 10 bi
Agência Estado
Depois de acusar 32 ex-dirigentes do Banco Nacional, o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) investigam a omissão de funcionários do Banco Central na fiscalização das fraudes - que esconderam um rombo de R$ 10 bilhões na instituição - e as operações internacionais do Interbanco, braço financeiro do Nacional que ficava no Paraguai. Os policiais da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Delecoi) descobriram, por exemplo, que só em janeiro deste ano o Banco Central instaurou processo administrativo para apurar responsabilidades sobre as falhas na fiscalização do Nacional, que fechou as portas no final de 1995.
A investigação interna no BC teria sido motivada por solicitação do delegado Eduardo da Mata, que preside o inquérito instaurado para investigar ‘‘possíveis prevaricações’’ de fiscais do BC. A investigação da PF decorreu de ofício do MPF enviado em dezembro. Outro ofício do MPF solicitou abertura de inquérito para investigar as operações no Interbanco.
Os policiais que cuidam das investigações no Interbanco, iniciadas na semana passada, já suspeitam, com base em informações da primeira ação penal, que um volume próximo a US$ 1 bilhão tenha sido remetido para fora do País por meio das contas CC-5 (de pessoas não residentes no País). Esse valor leva em conta apenas as transações de cifras acima de US$ 1 milhão feitas por 107 empresas.
Desse inquérito deverão surgir diversos outros para apurar eventual lavagem de dinheiro ou sonegação fiscal. Quem não declarou ao Imposto de Renda esses valores ou não tem fontes de renda para justificar as transações terá de explicar a origem destes recursos, garante um dos policiais que acompanham o inquérito. Neste caso, serão responsabilizados não só os dirigentes do Interbanco e do Nacional como também os títulares das contas que sabiam do uso que elas estavam tendo.
O que os policiais e procuradores da República que investigam o caso querem saber no inquérito que investiga os fiscais do BC é até que ponto os responsáveis por auditar as contas do banco sabiam o que estava se passando. Eles já concluíram que não havia como os auditores externos da KPMG no Nacional ‘‘não terem conhecimento da situação’’.

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