Polícia abre inquérito contra sindicatos
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A delegacia de Polícia Civil de Paranaguá abriu inquérito contra operadores portuários e demais sindicatos que estão provocando a paralisação do porto. Os trabalhos receberam o reforço do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), que enviou um delegado, seis policiais e 15 viaturas, sendo três do Cope e 12 da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone).
As intimações aos dirigentes sindicais patronais foram entregues ontem pelas viaturas da Rone e Cope, numa demonstração de força, disse o advogado da Intersindical Fabiano Vicente Elias. ''Nem no período ditadorial, Paranaguá viveu clima de intimidação igual ao de ontem com policiais armados com metralhadoras e escopetas para entregar uma intimação'', disse.
O delegado Sebastião Gaspar estava reunindo subsídios para sustentar denúncia sobre paralisação patronal do porto ao Ministério Público (MP) federal. Ele estava coletando textos de manifestos de entidades sindicais e do comércio local, subscritos de sindicatos de trabalhadores, enfim ''tudo que pudesse comprovar a prática de crime com a incitação à paralisação'', disse.
De acordo com o delegado esse trabalho deveria ser feito pela Polícia Federal (PF), que está em greve. Com isso, os policiais civis podem assumir as operações sem que ocorra ''usurpação de funções'', salientou.
A delegacia de Polícia Civil estava apurando ainda a prática de crime nos saques e depredação contra a sede do Sindicato dos Operadores Portuários, ocorrida no sábado à noite. Gaspar disse que ainda não tinha identificado os autores do crime, mas já convocou a diretoria do sindicato para prestar depoimento onde eles podem apontar possíveis envolvidos. Segundo o delegado, os demais dirigentes sindicais também serão ouvidos porque eles aparecem num manifesto público e podem ser rotulados como mobilizadores e incitação ao crime.


