Polêmicas dificultam a implantação do Sisbov
A discussão promovida entre frigoríficos e produtores sobre quem deve bancar a instalação dos sistemas de rastreabilidade do País é um dos fatores que, segundo Gustavo Fanaya, atrasa a efetivação do Sisbov. O mote dessa discussão levanta duas dúvidas: não seriam os beneficiados pelo mercado externo (no caso, os frigoríficos) os maiores interessados na rastreabilidade? Por outro lado, os produtores não seriam os responsáveis por assegurar a qualidade da carne?
''Na prática, a carência de 40 dias de rastreabilidade para o abate dos animais deveria funcionar desde o ano passado. Por nossa sorte, a UE tem feito vistas grossas a isso'', diz Fanaya. Outros fatores que dificultam a instalação do sistema, na opinião do economista, são as dimensões do Brasil e a pouca uniformidade dos sistemas produtivos. ''Enquanto alguns produtores adotam esquemas profissionais e já rastrearam seus bois, outros fazem uso de sistemas rústicos''.
Alheio a essa discussão, o pecuarista Valdir Lazarini, de Cascavel, já se adaptou às exigências do Mapa. ''Todos os nossos animais criados em confinamento (cerca de 1.700) são rastreados'', conta. E o processo para identificação dos animais criados a pasto já está em andamento. Lazarini acredita que 60% dos produtores do Paraná tenham rastreado seus animais. Esses números fazem com que o pecuarista acredite que o Estado possa, sim, atender às expectativas de exportação para a UE. ''Temos um grande volume de gado confinado no Paraná. A princípio, deve ser suficiente''.





