O impasse sobre o horário de funcionamento do comércio na área central de Londrina começa a gerar confusão entre os consumidores. No último sábado, sem saber se as lojas estariam abertas ou não, algumas pessoas foram ao Centro fazer compras. Como muitos comerciantes fecharam as portas mais cedo por causa da manifestação liderada pelo Sindicato dos Comerciários de Londrina, os consumidores voltaram para casa de mãos vazias.
  Foi o caso da dona de casa Levina Rodrigues, 33 anos. ‘‘Trouxe meu marido para fazer compras para as crianças e as lojas estavam fechadas’’, reclamou ela, que defende a abertura do comércio em pelo menos duas tardes de sábado por mês. Sem opção, a família decidiu passear em um shopping da cidade. ‘‘Mas não compramos nada, porque os preços estavam mais altos’’, disse.
  Confusa por causa da polêmica, a dona de casa Ângela Maria de Araújo, 40, também pretendia fazer compras no sábado. Para não perder a viagem, adotou uma solução simples: ‘‘Antes de sair de casa, liguei para a loja e confirmei o horário’’, contou. Ângela aprova a abertura das lojas nos sábados à tarde. ‘‘Os patrões deveriam dar folga para os funcionários descansarem na sexta-feira’’, sugeriu. Já a zeladora Aparecida dos Santos, 49, acha que ‘‘o comércio não deveria abrir aos sábados à tarde porque os funcionários precisam de descanso’’.
  Entre empresários e gerentes ouvidos pela Folha, as opiniões são divididas. Roberto Simão, sócio de uma loja de variedades na rua Sergipe (Centro de Londrina), defende a abertura das lojas apenas nos dois primeiros sábados mensais. ‘‘No final do mês, o dinheiro do povo acaba e o movimento cai’’, afirmou ele, que paga hora-extra e dá almoço para os funcionários que trabalham fora do horário convencionado.
  Gerente de uma loja de confecções na mesma rua, Jocelaine Alessandra Dias Soares também é favorável ao funcionamento das lojas nos dois primeiros sábados do mês. ‘‘É uma forma de recuperar a performance dos dias mais fracos da semana’’, acredita. No estabelecimento, os trabalhadores recebem metade das horas-extras em folga e a outra metade em dinheiro.
  Contrária à opinião dos outros lojistas, a comerciante Nilza Leal Santana, proprietária de uma loja de confecções no Calçadão (região central), acredita que trabalhar em apenas uma tarde de sábado por mês já é suficiente para aquecer o setor. ‘‘A diminuição nas vendas não é questão de horário, é falta de dinheiro do povo’’, afirmou.

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