Polêmica sobre aftosa afasta diretora do Mapa
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de janeiro de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) afastou nesta semana a diretora de Programas da Área Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária, Tânia Lyra. A informação foi confirmada por fontes seguras ouvidas pela reportagem e o motivo principal seriam as divergências sobre a confirmação do foco de febre aftosa na Paraná. Tânia é doutora em febre aftosa, funcionária antiga do Ministério, onde exerceu diversas funções, entre elas comandou a chefia da Secretaria Nacional de Defesa Agropecuária, na gestão do ex-presidente José Sarney (PMDB).
Na audiência pública organizada pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal, no dia 13 de dezembro, que discutiu a confirmação do foco no Paraná, as divergências entre Tânia e os técnicos do Mapa ficaram latentes. Na ocasião, ela afirmou que a pureza da vacina contra a aftosa, no caso de animais repetidamente vacinados (como ocorre no Paraná), é um fator importante que deve ser considerado, uma vez que na vacina atualmente fabricada no País podem ser encontrados vestígios de proteínas não estruturais do vírus, o que pode gerar reações e diagnósticos falso positivos.
A confirmação do foco de febre aftosa no Paraná, feita no último dia 6 de dezembro, foi baseada na vinculação epidemiológica (os bovinos foram trazidos do Mato Grosso do Sul, onde foram registrados os primeiros focos de febre aftosa) e nos exames de sorologia, que detectou proteínas não estruturais do vírus. No entanto, técnicos paranaenses discordam desse diagnóstico, uma vez que não foi feito o isolamento viral. Tânia Lyra defendeu a tese de que o isolamente viral precisaria ser feito até para identificação do tipo de vírus que acometeria os bovinos.
No mundo, há sete vírus que causam febre aftosa. Deste total, três se manifestam na América do Sul: O, A e C. No entanto, todos eles apresentam diversas variações. A vacina produzida no Brasil é trivalente e contém os três vírus que circulam pelo continente. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Mapa, que informou que iria verificar o fato, mas não retornou.


