O diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Roberto Abreu, estará reunido hoje, em São Paulo, com os representantes e fiéis depositários dos 13 armazéns aonde os produtores/exportadores irão estocar o café correspondente aos 20% que deverão reter mensalmente das exportações que realizarem daqui para a frente. A retenção mensal de 20% das exportações de cada país foi instituída por meio do Programa de Ordenamento da Oferta de Café no Mercado Internacional, firmado em Londres, no dia 19 de maio passado, pelos governos dos países produtores de café filiados à Associação dos Países Produtores de Café (APPC), com o objetivo de recuperar os preços do produto no mercado internacional.
Na próxima semana será a vez dos representantes das principais cooperativas do setor cafeeiro se reunirem com o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Cesar Samico, para avaliar o andamento do programa. A reunião de Roberto Abreu com os representantes dos armazéns acontecerá às 14h em Carapicuiba, município de Barueri, e tem como objetivo uniformizar os procedimentos adotados na armazenagem do café destinado à retenção. Roberto Abreu informou que não foram emitidos registros de venda de café destinado à exportação esta semana porque ainda não há café retido nos armazéns para lastrear as exportações. Ele lembrou, contudo, que a estrutura dos armazéns nos estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, e São Paulo, aonde os cafeicultores poderão depositar o café, está pronta, contando, inclusive com os certificados de retenção que serão emitidos para cada carga de café depositada. De posse desses certificados, os cafeicultores irão ao Banco do Brasil para obter o financiamento para os 70% do valor da estocagem. ‘‘O Banco só concederá o financiamento mediante a apresentação desse certificado’’, ressaltou.
O contrato com o Banco do Brasil para a liberação dos R$ 300 milhões provenientes do Fundo de Desenvolvimento da Economia Cafeeira (Funcafé) que irão financiar a estocagem do produto está sendo finalizado. Segundo Abreu na próxima semana os empréstimos deverão estar disponíveis. Lembrou, porém que a estocagem do café não está obrigatoriamente ligada à retenção, porque os interessados podem depositar a mercadoria sem recorrer ao financiamento. Na prática, contudo, o empréstimo servirá de estímulo para que os produtores depositem o produto.
Roberto Abreu informou também que desde a quinta-feira passada, quando foram emitidas as portarias e resoluções regulamentando o programa de reordenamento das exportações, os exportadores já podem solicitar os registros de venda para o mês de julho. Conforme a portaria interministerial, os registros de venda voltaram e ser emitidos para o mês corrente ao da negociação mais 30 dias subsequentes. O diretor do Departamento do Café disse que a não emissão de registros de venda esta semana, não deverá atrapalhar as exportações do setor, uma vez que a partir da semana que vem tudo deverá estar normalizado.

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