A Comissão de Fiscalização e Investigação sobre Febre Aftosa, formada por deputados da bancada ruralista, realiza audiência hoje no Congresso Nacional para discutir as questões sobre a doença no Paraná. Técnicos do Estado e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) envolvidos ou não nas análises dos últimos laudos sobre focos da aftosa foram convocados. Existe a possibilidade dessa comissão de deputados visitar ainda nesta semana as fazendas interditadas no Paraná.
A comissão tem caráter técnico e pretende discutir onde estão os possíveis ''erros'' nos resultados que confirmam focos da doença em propriedades no Estado. Ontem, em Londrina, durante evento para debater as perspectivas do agronegócio em 2006, com participação de produtores da região, o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz, informou que a audiência será uma das ações para tentar reverter a situação caótica que se formou. Neme estará presente na reunião em Brasília.
O resultado dos exames divulgados pelo Mapa, que confirmaram a doença em animais da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), na semana passada deve ser o assunto principal da audiência. Os testes de sorologia foram feitos pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) do Rio Grande do Sul. ''O ministério passa uma informação e a gente tem que aceitar. Será que só a equipe deles está certa?'', questionou Neme.
Segundo ele, apenas o teste de virologia não é suficiente. Novos e mais profundos exames precisam ser realizados. De acordo com Neme, a indignação dos pecuaristas do Estado está relacionada ao tratamento que o Mapa vem dando à questão da febre aftosa no Paraná. Eles questionam, por exemplo, a doença na Fazenda Cachoeira. Ontem durante o evento na Sociedade Rural, o assunto foi alvo de longas discussões e inclusive de ''brincadeiras''. ''Se tem febre aftosa lá, porque o gado está engordando?'', disseram.
A maioria dos produtores acredita em desavenças políticas entre o Estado e a União. ''Se isso for verdade terá que vir à tona'', afirmou o professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutor em virologia, Amauri Alfieri. Integrante da comitiva do Paraná, que participa da audiência no Congresso, ele acredita que a iniciativa deve colaborar para mostrar aos políticos os trabalhos que estão sendo feitos no Estado. ''Meu depoimento será técnico e suficiente para embasar os políticos''.
Segundo Alfieri, essa poderá ser a chance de saber o motivo das informações tão desencontradas no Paraná: de um lado produtores que têm certeza que não há aftosa e de outro o Governo Federal que insiste no contrário. ''Eles parecem que estão brincando de fazer diagnóstico'', reiterou.
Além de Neme e Alfieri, estava confirmado para participar da audiência em Brasília o doutor em patologia e responsável pelo departamento de medicina veterinária do Centro Universitário de Maringá (Cesumar), Raimundo Tostes.

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