'Polarização na política põe democracia em risco'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de outubro de 2018
Nelson Bortolin Reportagem Local 
A provável polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições presidenciais coloca a democracia em risco, segundo o economista Ricardo Amorim. Tanto um quanto outro, na visão dele, podem levar o País para caminhos autoritários. Mas o mercado prefere Bolsonaro por dois fatores principais, diz ele. "As propostas que o PT defendem, principalmente as econômicas, são motivo de preocupação para o mercado, que também teme um revanchismo por parte do candidato petista, caso ganhe a eleição. Isso porque o PT considera golpe o que ocorreu com a Dilma (impeachment de Dilma Rousseff)", ressalta.
Por causa disso, cada vez que o candidato do PT vai mal nas pesquisas, os ativos se valorizam. Amorim diz que os investidores têm expectativa de que Bolsonaro, caso eleito, faça um governo mais liberal, mais favorável ao mercado. Mas o risco de isso não ocorrer, segundo ele, não é desprezível. "O histórico de votação do deputado na Câmara não bate com o liberalismo econômico", destaca o economista. O discurso liberal foi adotado pelo candidato do PSL depois que se aliou ao economista Paulo Guedes, que será seu ministro da Fazenda em caso de vitória.
Para Amorim, a eleição do capitão reformado do Exército será uma festa desde o dia da vitória até os primeiros meses de governo. "A hora da verdade vai ser quando ele tiver de passar as reformas pelo Congresso", alega. O economista ressalta que o vencedor, seja quem for, terá de negociar com o chamado "centrão", que será majoritário no Congresso. "Se Bolsonaro se render ao centrão ele vai decepcionar seus eleitores", avalia.
Outra possibilidade será o presidente bater de frente com os deputados para aprovar suas proposta. "Mas num embate desse, ele mantém suas ideias liberais?", questiona. Uma terceira via, diz Amorim, seria Bolsonaro adotar uma linha autoritária. "O cenário de polarização hoje aumenta muito o risco para a democracia, de ambos os lados", acredita.
O casamento entre o capitão do exército e Paulo Guedes não será fácil, segundo Amorim. "Paulo Guedes é um sujeito brilhante, mas é conhecido por não ser afável assim como Bolsonaro. Será que essa relação resiste às dificuldades de aprovação de reformas?", questiona.
Apesar das considerações, diz Amorim, o mercado não tem dúvida de que Bolsonaro é um "mal menor" que o PT. (N.B.)


