'Poder' dos imãs magnetiza consumidores
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Sucesso entre os jovens e esportistas, a pulseira bioquântica, mais conhecida como 'pulseira do equilíbrio', teve sua divulgação suspensa e restrita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início de mês. Empresas que vendem o produto estão proibidas de fazer qualquer menção nas propagandas aos supostos efeitos e propriedades terapêuticas garantidos pelo fabricante, já que nada foi comprovado cientificamente. Apesar da proibição, a comercialização da pulseira continua permitida.
O produto promete maior estabilidade, alinhamento do fluxo energético, alívio de dores e melhora na circulação sanguínea. Isso tudo devido à frequência de seus hologramas, que interagiriam com o campo eletromagnético do corpo humano para equilibrar a energia da pessoa, melhorando a capacidade física e mental.
Esse é mais um das dezenas de produtos com imãs que prometem oferecer benefícios à saúde em decorrência do magnetismo. Feiras e lojas de artigos de saúde vendem garrafas que dizem imantar a água, o que ajudaria na eliminação dos metais pesados. Colchões e travesseiros são oferecidos com imãs espalhados, que teriam o poder de ativar a circulação e tirar a dor. Na lista de produtos entram ainda palmilhas, máscara de dormir, cintas compressoras, massageadores e até mesmo lingeries com pequenos pedaços de imãs.
Em uma busca pela internet é possível encontrar fabricantes que, com forte apelo comercial, prometem outros benefícios, inclusive a cura de doenças. Um colchão com uma manta de imãs, diz que o produto atuaria no aumento da ação anti-inflamatória, controle da pressão alta e baixa, prevenindo infarto e derrame. Os mais ousados sugerem até mesmo cura do câncer.
Magnetismo
Erroneamente propagado pelos fabricantes, os imãs destes produtos produzem apenas um campo magnético e não ''eletromagnético''. ''Para se produzir um campo eletromagnético é necessário ter carga elétrica, que nestes casos não existe. Magnetismo e eletromagnetismo não são sinônimos'', explica o professor de física da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Eduardo Di Mauro.
Segundo ele, o campo magnético nada mais que orienta todos os elétrons de uma determinada matéria para a mesma direção. ''Os elétrons ficam todos espalhados pela matéria. Quando aproximados a um imã - material que naturalmente tem seus elétrons na mesma direção - também têm seus elétrons da mesma forma. Por isso que algo metálico 'gruda'. Diferente da madeira e do corpo humano, que é diamagnético, ou seja, praticamente não produz campo magnético'', ressalta. ''O que sabemos é que os vasos sanguíneos têm partículas carregadas de carga. Quando o imã é colocado, ocorreria uma orientação relâmpago dos íons por conta desse campo magnético, que podem desviar, acelerar ou desacelerar os tais íons. Mas é apenas isso'', acrescenta o professor.


