Inicialmente, o núcleo abrangerá a avicultura e a suinocultura, setores em que a integração está mais avançada no Paraná
Inicialmente, o núcleo abrangerá a avicultura e a suinocultura, setores em que a integração está mais avançada no Paraná | Foto: Lis Sayuri/02-06-2014



Os granjeiros paranaenses passaram a contar desde a semana passada com um novo mecanismo para negociar preços e condições com empresas integradoras. A Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) e o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) do Paraná lançaram o Núcleo de Cadecs (Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração), em Curitiba, que funcionará como uma nova instância para mediar soluções quando houver impasses nas relações entre indústria e Cadecs de cada região.
A estratégia é pioneira e já há contato de entidades de outros estados, que pretendem formular grupos nos mesmos moldes. A iniciativa visará dar capacitação para os produtores rurais que fazem parte das Cadecs, para que tenham mais capacidade técnica de negociar com integradoras. Ainda, facilitará o acesso à assessoria de especialistas, que fazem parte do núcleo, com sede em Curitiba, em caso de problemas para definir questões como preços pagos ao produtor.
A proposta abrangerá inicialmente a avicultura e a suinocultura, setores em que a integração está mais avançada no Paraná, que lidera o abate de aves e é terceiro no de suínos no País. A formação das Cadecs atende exigência da Lei 13.288/16 do governo federal, conhecida como Lei da Integração, que visa justamente dar maior transparência nas relações econômicas e na remuneração da cadeia.
Cada comissão deve ter participação paritária entre produtores e integradoras. A escolha de nomes deve ser feita por eleição, em cada uma das 33 unidades industriais de frango e 11 de suínos do Estado. Destas, dez já contam com Cadecs formadas, das quais nove em avicultura (Paranavaí, Rolândia, Jacarezinho, Toledo e Dois Vizinhos, além de Cadecs de corte e de recria em Carambeí e em Lapa) e uma na suinocultura (em Castro).
Médica veterinária do DTE (Departamento Técnico Econômico) da Faep, Ariana Weiss Sera afirma que o núcleo vai se reunir periodicamente para discutir questões de mercado e trocar informações, o que permitirá que todos saibam o que ocorre nas diversas regiões do Estado e possam unificar interesses. "Se a Cadec não conseguir resolver um problema, envia a questão para o núcleo, que entra em contato com a empresa para, com a assessoria da Faep, negociar uma solução."
Ela diz que, depois do lançamento da iniciativa, começou um movimento maior de produtores e industriais em busca de formar Cadecs. "Teremos uma reunião no máximo em setembro com empresas para apresentar o núcleo", conta Ariana.
O presidente da APS (Associação Paranaense de Suinocultores), Jacir Dariva, considera que a iniciativa evitará, também, possíveis represálias de indústrias a produtores. "Com o núcleo, a responsabilidade de cobrar soluções em casos mais complicados ficará com pessoas alheias à produção, o que evita que os criadores se sintam acuados ou ameaçados de alguma maneira."
Para Dariva, a maioria dos produtores tem agilidade no campo e compreensão sobre o próprio negócio, mas existem questões mais técnicas que são complicadas. "A maioria das pessoas tem a dificuldade com alguns desses números, então a capacitação das Cadecs vai ser muito importante", conta.
Com menos grupos formados do que na avicultura, o presidente da APS pretende agilizar a formação de Cadecs, principalmente diante da reclamação de baixa rentabilidade de parte dos granjeiros. "Na avicultura, eles recebem toda a assistência há alguns anos e a integração segue quase sempre um mesmo padrão, mas, na suinocultura, cada integradora tem um padrão diferente e por isso a dificuldade", explica.

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