Os campos de sementes de soja já começaram a ser colhidos em quase todas as regiões brasileiras. Junto com a colheita, uma preocupação: o alto índice de sementes quebradas, que certamente serão descartadas como grãos para esmagamento. Isso pode ser um início de escassez de sementes no mercado para safra 2000/2001.
O alerta foi feito ontem por especialistas em sementes da Embrapa-Soja, em Londrina , que concluíram um levantamento em campos de sementes de Mato Grosso, Goiás e Paraná e constataram uma quebra de cerca de 9% nas áreas colhidas, quando os limites toleráveis não passam de 3%. No Paraná, a média de sementes quebradas é mais significativa: entre 9,3 e 9,4%.
Segundo os especialistas em sementes da Embrapa-Soja, o Brasil pode deixar de colher este ano, cerca de 90 mil toneladas de sementes de soja. Isso pode representar um prejuízo aos produtores de aproximadamente R$ 22,5 milhões, considerando as projeções de preços do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura do Paraná para a época de comercialização da safra.
O Brasil produz anualmente em torno de 1 milhão de toneladas de sementes, para um consumo de 910 mil toneladas, que são utilizados para semear os 13 milhões de hectares de soja - área normalmente cultivada no país. A oferta e a demanda são quase que equivalentes - explica Cesar Mesquita, da Embrapa-Soja. No entanto, com as primeiras estimativas de quebra, é possível que não entre no mercado 1,8 milhão de sacas, podendo acarretar a falta de sementes para a próxima safra. Além disso, projeta-se uma redução nos ganhos dos produtores de sementes que estão colhendo seus campos agora, uma vez que a expectativa de preço de venda gira em torno de R$ 30 a saca. Isso significa que R$ 22,5 milhões não vão ser contabilizados na safra deste ano.
Esse quadro, porém, pode ser revertido - afirma Mesquita. Para isso basta que os produtores tenham um cuidado muito simples: a regulagem das colhedoras. Os altos índices de quebra de sementes de soja podem ser evitados com o monitoramento constante e o ajuste, sempre necessário, do sistema de trilha da máquina e da velocidade do trabalho da colhedora. É o pesquisador quem recomenda: ‘‘a colheita da soja deve sempre ser feita com a maquinaria previamente regulada, e a observação do teor de umidade das sementes, que deve estar entre 14% e 13%.

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