Pode faltar semente de trigo, alerta Apasem
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segunda-feira, 14 de abril de 1997
Vânia Casado Sucursal de Curitiba 
ArquivoDe repente agricultores decidem plantar trigo no lugar do milhoA oferta de sementes de trigo de classe superior está praticamente esgotada na região Oeste. Segundo estimativa de Eugenio Bohatch, diretor executivo da Apasem - Associação Paranaense de Produtores de Sementes e Mudas, já foram vendidos o equivalente a 700 mil sacas de sementes na região. A procura foi acentuada nos últimos dez dias, provocando a elevação no preço.
Em março, a saca de 50 quilos de semente de trigo de classe superior era comercializada entre R$ 13,00 e R$ 13,50, mas ocorreram poucas vendas. Este mês, o valor da saca superou R$ 15,00, chegando até R$ 16,00 nos últimos dez dias.
O aumento da procura foi impulsionado pela estiagem que está prejudicando o desenvolvimento do milho safrinha, que tinha sido a opção inicial de muitos produtores para a safra de inverno. Ocorre que eles ficaram frustrados com o aparecimento de insetos, em função da seca, que poderiam comprometer a produtividade, explicou Bohatch. Para não acumular prejuízos, muitos produtores optaram por gradear o milho e estão aguardando a chegada da chuva para plantar o trigo.
A escassez de sementes não está ocorrendo na região Norte do Estado, que também está sendo castigada pela estiagem. O diretor da Apasem acredita que a procura deve se intensificar agora que o Banco do Brasil começa a liberar recursos para o custeio.
Segundo Bohatch, existe uma disponibilidade de 2,2 milhões de sacas de sementes de qualidade superior, suficientes para o plantio de 720.000 hectares. Ele acredita que as regiões Oeste e Norte, maiores produtoras no Estado devem consumir o equivalente a 1,7 e 1,8 milhão de sacas.
Recursos do Banco do Brasil.
Desde ontem, a Superintendência do Banco do Brasil começou a liberar R$ 35 milhões em recursos para o financiamento da safra de trigo no Paraná. Desse total, R$ 21 milhões são oriundos de recursos obrigatórios, R$ 10 milhões do Proger e R$ 4 milhões do Pronaf.
A previsão do BB é que ocorram mais liberações em maio e junho para o custeio até totalizar R$ 100 milhões, que é a necessidade do Estado, adaptada às previsões de redução de área da ordem de 20%, afirmou Bruno Schauff, coordenador de crédito rural da Superintendência do BB no Paraná.
Segundo Schauff, o dinheiro já está disponível nas agências e ele confirma o rigor do banco na aprovação do cadastro. Ele afirma que deverão ser aprovados os cadastros de produtores que comprovadamente tenham capacidade de tocar a lavoura, como tecnologia de plantio, seguir o zoneamento agrícola e ter acompanhamento da assistência técnica.


