Pode faltar dinheiro nos caixas eletrônicos
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terça-feira, 03 de fevereiro de 2009
Andréa Bertoldi e Cláudia Palaci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A greve dos trabalhadores da segurança privada que começou ontem fechou quase 40% do total de 350 agências bancárias de Curitiba. Os vigilantes impediram o funcionamento de 137 agências, sendo a maioria da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. O movimento teve a adesão de 60% dos 6,8 mil trabalhadores de Curitiba e dos 21 mil do Estado. Em carro-forte a adesão foi de 100%. Cinquenta das 57 agências do Banco do Brasil não abriram as portas e todas as 48 da Caixa de Curitiba permaneceram fechadas. A previsão do presidente do Sindicato de Curitiba e Região e da Federação dos Vigilantes do Paraná, João Soares, é que hoje comece a faltar dinheiro no autoatendimento.
Ontem, a categoria fez uma passeata da Praça Santos Andrade até a sede do sindicato patronal, localizado na Rua Lourenço Pinto, no centro de Curitiba. No final da tarde de ontem, os vigilantes decidiram em assembleia manter a greve por tempo indeterminado.
De acordo com a lei federal 7.102/83, nenhuma instituição financeira pode funcionar sem a presença de, no mínimo, dois vigilantes. O Sindicato dos Bancários de Curitiba fiscalizou se agências foram mantidas abertas mesmo sem segurança. O transporte de valores com carro-forte também não foi realizado. Segundo o levantamento da Federação dos Vigilantes do Paraná, além da Capital e Região Metropolitana, Paranaguá, Pato Branco, Cascavel, Londrina e Umuarama apresentaram forte adesão.
Ainda de madrugada, os trabalhadores se reuniram na Praça Santos Andrade, e de lá saíram em piquetes rumo às empresas do setor e locais de prestação de serviço como bancos e prédios públicos. Na Avenida Marechal Deodoro, dezenas de manifestantes pediam a saída do vigilante a cada local que o piquete parava. O vigilante Carlos Padilha aderiu ao piquete assim que a sua saída de uma agência bancária foi comemorada pelos grevistas. ''Minha orientação era que quando o grupo fosse embora, eu deveria voltar para o posto. Mas não vou ser um fura-greve!'', admitiu.
Trabalhadores de empresa Metropolitana relataram à reportagem que receberam um comunicado que pedia aos trabalhadores que pensassem no impacto negativo que a greve poderia acarretar no mercado e que postos de trabalho estavam sendo reduzidos por conta de clientes atingidos pela crise financeira mundial. O diretor da Metropolitana (Metronic), Juílson Vieira, informou que a empresa funcionou ontem normalmente e que o objetivo da carta era pedir a colaboração dos funcionários. Em postos da empresa, grevistas impediram a entrada de funcionários, segundo a Metropolitana.
As empresas de transporte de valores Prosegur e Proforte informaram paralisação total. Na G5, empresa de vigilância patrimonial, o atendimento foi normal, apesar das manifestações na parte da manhã. O diretor da G5 e também do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Paraná (Sindesp), Jeferson Furlan Nazário, acredita na revisão de exigências da categoria, pois, segundo ele, a ala patronal já chegou ao máximo da negociação.


