Pobreza ronda a maioria argentina
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domingo, 26 de maio de 2002
Ariel Palacios Agência Estado 
Buenos Aires - Se o ano começou difícil para os argentinos, poderá terminar pior ainda, pois, segundo relatório do Instituto de Estudos Econômicos da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), até dezembro dois de cada três argentinos serão pobres. Atualmente, a proporção de pobres no país é de 49%. Até a metade da década de 80, a proporção de pobres não passava de 15%.
No momento, a proporção de 66% de pobres no total da população se registra nas províncias do Chaco, Formosa, Jujuy, Misiones e Entre Ríos. Mas, segundo o diretor do Instituto da CTA, o economista Claudio Lozano, com uma previsão moderada de inflação de 80% anual, esta proporção de pobres se repetirá em toda a Argentina. Com esse panorama, nas províncias atualmente miseráveis, a pobreza poderia atingir 90% da população.
Durante o período de hiperinflação de 1989, a pobreza chegou a proporções similares às atuais. Mas, após seu fim, os níveis diminuíram rapidamente. No entanto, desta vez seria diferente, pois o Instituto considera que o país possui escassas possibilidades de recuperação. A Argentina carrega quase quatro anos de recessão, um desemprego superior a 23%, uma indústria quase extinta e um sistema financeiro em colapso.
Enquanto que a pobreza da hiperinflação de 1989 era circunstancial, a pobreza da atualidade já é estrutural. Segundo diversos economistas, o país precisaria de pelo menos duas décadas de crescimento médio de 3% do PIB anual para que os níveis de pobreza voltem a ser os de antes.
Lozano considera que, em termos reais, o salário dos argentinos despencou 50% comparado com o salário de 1974. Até o fim deste ano, com mais de 80% de inflação, os salários dos argentinos poderiam ser inferiores a 30% do que eram há um quarto de século.
Desde o início da recessão, em meados de 1988, o desemprego aumentou 75%, a pobreza cresceu 60%, enquanto que a indigência disparou 130%.
Enquanto a pobreza se alastra, o governo do presidente Eduardo Duhalde, mesmo antes de completar seis meses no poder, também enfrenta problemas para impedir a redução acelerada das reservas do Banco Central. No início de dezembro, as reservas eram de US$ 25 bilhões. Mas, na semana passada haviam diminuído para 10,5 bilhões. Só ao longo de maio, a queda foi de US$ 1,72 bilhão.
Os depósitos bancários também despencaram, apesar da existência do corralito (semi-congelamento de depósitos bancários). Sua queda foi de 14 bilhões de pesos. Deste total, 3 bilhões de pesos foram retirados, desde janeiro, através de processos na Justiça contra o corralito. Os outros 11 bilhões de pesos foram sendo retirados gradualmente pela saída permitida de fundos das contas correntes. Grande parte do dinheiro foi utilizada para a compra de dólares, o único refúgio seguro dos argentinos no momento.


