Pobreza pode desestabilizar o planeta, alerta Wolfensohn
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quinta-feira, 21 de setembro de 2000
Clóvis Rossi Agência Folha De Praga 
A crescente brecha entre ricos e pobres pode desestabilizar o mundo. Palavra de um milionário ex-investidor, o hoje presidente do Banco Mundial, James D. Wolfensohn. Em entrevista coletiva ontem de manhã, Wolfensohn disparou: Uma das coisas que podem desestabilizar os países desenvolvidos é a inquietação social no mundo, e acredito que os números são tão contundentes que esse é um risco real.
Três números contundentes, citados ou por Wolfensohn ou em documentos da instituição que ele preside:
1) 20% do mundo controla 80% das riquezas;
2) há, em um planeta de 6 bilhões de habitantes, 2,8 bilhões de pessoas que sobrevivem com US$ 2 por dia;
3) nos próximos 25 anos, a população planetária passará de 6 bilhões para 8 bilhões, um acréscimo que, quase todo, estará no mundo em desenvolvimento, justamente aquele que fica com a menor parte da riqueza.
Para Wolfensohn, essas iniquidades não podem existir, sob pena de forçar a sociedade a pensar em termos de fratura social.
O presidente do Banco Mundial fez um apelo aos países desenvolvidos para que ajudem no combate à pobreza. É do interesse deles aliviar a pobreza no mundo em desenvolvimento porque somos um só mundo, e, a menos que haja estabilidade e crescimento no mundo em desenvolvimento, não teremos um mundo pacífico, filosofou.
A entrevista de Wolfensohn abriu um dia em que a palavra pobreza ou similares frequentou assiduamente o vocabulário de altos funcionários do Banco Mundial e do FMI (Fundo Monetário Internacional), que fazem em Praga o seu 55º Encontro Anual.
Mas não foram apresentadas idéias novas a respeito do que fazer para combater a pobreza, a não ser estender os programas de combate para os países de renda média, caso do Brasil, por exemplo. Wolfensohn repetiu o pedido de Horst Koehler, o diretor-gerente do FMI, para que os países ricos abram seus mercados às exportações dos pobres.


