O Paraná é o sexto estado com maior renda do País e o quinto entre aqueles com menos pobreza extrema. Apenas 2,9% da população, ou 306.638 habitantes, têm renda per capita de até R$ 70, segundo o Censo 2010. Porém, tem o pior índice entre os três estados do Sul.
A fixação do valor em reais como limite para a pobreza extrema foi divulgada nesta semana pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Por este critério, o Estado mais pobre do Brasil é o Maranhão, onde um quarto das pessoas vivem com menos de R$ 70. Já, na outra ponta, encontra-se Santa Catarina, com apenas 1,9% da população considerados extremamente pobres.
Cid Cordeiro, economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), lembra que 42% dos paranaenses extremamente pobres vivem na zona rural. ''Isso mostra a importância que tem a agricultura do Estado no combate a desigualdade social.''
Por enquanto, nem o MDS nem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgaram dados do Censo 2010 referentes a renda por município. Mas, segundo a secretária de Assistência Social de Londrina, Jacqueline Micali, 8.748 famílias vivem na cidade com até R$ 70 por pessoa, algo em torno de 35 mil habitantes, ou 11% dos extremamente pobres no Estado. Todos estão inscritos no Bolsa Família.
Mas ainda há no município outras 16 mil famílias que recebem este ou outro benefício dos governos municipal, estadual e federal. Como têm renda per capita acima de R$ 70, não entram na conta dos extremamente pobres.
Em todo o Estado, 460 mil famílias recebem o auxílio do governo federal - aproximadamente 1,8 milhão de paranaenses. Ou seja, só cerca de um sexto deste contingente foi classificado em estado de extrema pobreza. ''O restante agora é tratado apenas como pobre'', diz o coordenador estadual do Bolsa Família, Nicélio Zabot. Ele afirma que ''como o cobertor é curto'', o governo federal tem de estabelecer um limite de pobreza que deve ser combatido a todo custo.
Segundo o coordenador, o governo já reajustou a bolsa para essa parcela da população. Cada família passa agora a receber R$ 70 de benefíco básico, mais R$ 32 por criança (no máximo três) e R$ 38 por jovem (no máximo dois) que estejam devidamente matriculados nas escolas. Já os somente pobres não terão o ganho básico de R$ 70, segundo Zabot. (N.B.)

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