Pobreza e desigualdade caem mesmo com a crise
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de agosto de 2009
Bruno de Vizia<br> Folhapress 
São Paulo - A crise econômica atual não aumentou a taxa de pobreza nas regiões metropolitanas do Brasil desde o último trimestre de 2008, aponta pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre desigualdade e pobreza no Brasil durante a crise internacional.
De acordo com o levantamento, ao contrário dos períodos recentes de turbulência econômica (1982/83, 1989/90 e de 1998/99), nos quais a taxa de pobreza aumentou nos meses após a crise, na atual conjuntura esse fenômeno não foi observado. A desigualdade, medida pelo índice Gini, também manteve sua trajetória de queda, mesmo com o acirramento da crise internacional, destacou o instituto.
Análise da evolução da pobreza no país, desde março de 2002 a junho de 2009, indicou tendência de queda em todas as seis regiões metropolitanas pesquisadas.
No período, 4 milhões de brasileiros deixaram a condição de pobreza, passando de 18,5 milhões em 2002 para 14,5 milhões em junho de 2009 - a metodologia identifica a pobreza pelo rendimento médio familiar per capita de até meio salário mínimo mensal.
De acordo com o Ipea, 42,5% do total da população das seis regiões metropolitanas pesquisadas se encontrava na faixa de pobreza em março de 2002, percentual que caiu para 31,1% em junho de 2009, o que representa recuo de 26,8% na taxa de pobreza.
Entretanto, a velocidade da redução da taxa de pobreza é diferente nas áreas pesquisadas. As regiões metropolitanas de Belo Horizonte (35,5%), Porto Alegre (33,6%) e Rio de Janeiro (31,2%) diminuíram mais rapidamente a taxa de pobreza que a média nacional. Já nas regiões metropolitanas de São Paulo (25,2%), Salvador (23,9%) e Recife (14,1%) a queda foi menos intensa que a média nacional.
Entre 2002 e 2009 a região metropolitana do Rio de Janeiro foi a que registrou a maior queda no número de pobres, com 1,4 milhão de pessoas, seguida pelas regiões metropolitanas de São Paulo, com 1,3 milhão, e de Belo Horizonte, com 600 mil pessoas retiradas da condição de pobreza.


