PLR provoca impasse entre Volks e sindicato
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sábado, 04 de junho de 2011
Cleide Silva e Evandro Fadel <br>Agência Estado 
São Paulo - Com um mês de greve completado neste domingo na fábrica de São José dos Pinhais, a Volkswagen e o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba estão numa encruzilhada na negociação do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Se ceder ao que pedem os paranaenses, a montadora terá de enfrentar os trabalhadores das outras três fábricas de São Paulo, uma delas no ABC paulista, que já aceitaram valores menores para a primeira parcela do benefício sem paralisar a linha de montagem. Já o sindicato teria de justificar aos 3,1 mil funcionários da Volks por que vão receber PLR inferior ao da Renault (R$ 12 mil) e da Volvo (R$ 15 mil), da mesma base sindical.
Desde o início da paralisação, em 5 de maio, a Volkswagen deixou de produzir 18 mil carros, num momento em que o mercado atinge recorde de vendas. O mês passado foi o melhor maio da história, com 318,6 mil veículos comercializados.
A histórica paralisação, a mais longa no Paraná, é comandada por Sérgio Butka, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos há 21 anos, que briga por uma equiparação dos salários locais com os de São Paulo. Dirigentes das montadoras que escolheram o Estado nos anos 90, tentando escapar dos altos custos de São Paulo e do movimento sindical, reclamam da inflexibilidade do sindicato nas negociações.
''Hoje não temos negociações, temos extorsões'', diz o diretor de Recursos Humanos da Volvo, Carlos Morassutti. ''O sindicato coloca sua reivindicação e se não aceitamos fazem greve, sem ouvir nossas justificativas.'' Segundo ele, desde 2007 a única fábrica de caminhões e ônibus do grupo sueco no País enfrenta greve todos os anos.
Nos últimos quatro anos, a fábrica da Volkswagen no Paraná, onde são produzidos os modelos Fox, CrossFox e Golf, ficou 70 dias parada por causa de greves, incluindo a atual. Nas unidades de São Paulo (ABC paulista, Taubaté e São Carlos), não houve paralisações.
A última grande greve na fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo, durou 27 dias e ocorreu em 2005. ''É de nossa natureza negociar, mas percebemos uma postura diferente desse sindicato (do Paraná)'', diz Nilton Junior, diretor de Recursos Humanos da Volks. ''Tentamos desenvolver um processo de diálogo, focando na competitividade da fábrica, mas não conseguimos.''
Butka afirma que a atitude da empresa sempre foi de confronto, sem diálogo. Nilton Junior rebate que a realidade de cada fábrica é diferente e ressalta que, nos últimos anos, os porcentuais de reajustes no Paraná foram superiores aos das outras unidades.
O advogado e ex-ministro do Trabalho, Almir Pazzianotto, diz não acreditar que uma mesma empresa consiga fechar acordos em várias fábricas e seja intransigente em outra. ''Não me parece lógico, pois a única alteração é o interlocutor.''
As três montadoras do Paraná, responsáveis por quase 11% da produção nacional de veículos, afirmam que a atitude do sindicato pode afastar novos investimentos no Estado. Além da discussão da PLR, elas já pensam na próxima negociação sobre reajuste salarial prevista para setembro, data-base dos metalúrgicos.
A Volkswagen não incluiu a unidade local no plano de investimentos de R$ 6,2 bilhões até 2014 e já avisou que o novo Golf não será feito em São José dos Pinhais.


