PLR deve alcançar mais trabalhadores no médio prazo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) hoje tornou-se a ''menina dos olhos'' do trabalhador e é um atrativo para os candidatos a emprego. No Paraná, essa remuneração variável é muito comum nas indústrias especialmente das áreas metal-mecânica, madeireira e construção civil, além de estatais e bancos - segmentos que pagam os maiores valores. O topo deste ano foi atingido pela Volvo, que vai pagar R$ 15 mil a cada um dos seus quatro mil trabalhadores. A previsão dos especialistas é que dentro de cinco anos, a grande maioria das empresas do Estado adote esta remuneração como forma de aumentar a qualidade e a produtividade e incentivar os funcionários.
A criação da PLR no Brasil veio junto com a estabilização da inflação em 1994, mesmo ano do lançamento do Plano Real. A concepção era criar um prêmio para o trabalhador e proporcionar o aumento da qualidade e da produtividade. O economista do Departamento Intersindical de Estatítica e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, lembrou que, no início, as empresas resistiram um pouco a aderir à novidade.
No final dos anos 90, essa remuneração foi usada como compensação pelo não zeramento da inflação nos acordos salariais. Com isso, tornou-se uma forma de arrochar os salários, segundo Cordeiro. A partir de 2003, a PLR passou a ser um instrumento para negociar qualidade e produtividade para a empresa e oferecer um prêmio para o trabalhador.
De acordo com ele, os funcionários têm brigado cada vez mais para aumentar o valor da PLR porque as empresas também vêm atingindo lucros maiores. Um exemplo disso foi a greve de 37 dias dos metalúrgicos da fábrica da Volkswagen, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A paralisação resultou em uma PLR de R$ 11,5 mil, além do fechamento do acordo salarial - que tem como data-base setembro - e outros benefícios.
''Na crise, o trabalhador participa involuntariamente com o desemprego. Com desempenho melhor de produção, os funcionários querem valores maiores de remuneração'', disse. Para ele, seria preciso disseminar mais essa cultura entre as empresas pequenas e médias.
Hoje, qualquer empresa, independente do porte pode oferecer a PLR, menos as filantrópicas e sem fins lucrativos. Além disso, esse valor pago aos funcionários pode ser deduzido do Imposto de Renda das companhias. E não há um limite mínimo de faturamento para que a empresa ofereça essa remuneração. Geralmente, há uma comissão que negocia e estabelece metas. O pagamento acontece em, no máximo, duas parcelas.
No entanto, ele disse que apesar de em algumas categorias a PLR ter atingido um valor significativo na composição da remuneração do trabalhador, o principal ainda continua sendo o reajuste salarial somado a um aumento real. No outro extremo, há categorias que conseguem apenas a reposição da inflação nos salários, ou seja, existe um distanciamento muito grande de uma realidade para outra.
O headhunter Bernet Entschev disse que a PLR faz as pessoas trabalharem mais motivadas e atingirem as metas da empresa. Ele explicou que esta forma de remuneração começa a ser paga nas empresas, geralmente, primeiro para os diretores, depois para os cargos de gerência e, em seguida, para a parte operacional. ''Toda a empresa que tem uma visão mais moderna oferece a PLR'', afirmou. Ele acredita que dentro de cinco anos, a maioria das empresas vai oferecer essa remuneração. ''Com isso, as pessoas se unem e contamina de forma positiva o clima organizacional'', enfatizou.


