Plantio direto vai pesar no cálculo do preço mínimo
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Guto Rocha 
O preço mínimo e o Plano de Safra que o governo está elaborando irá utilizar pela primeira vez dados relativos ao plantio direto. A afirmação foi feita ontem, em Londrina, pelo diretor de Planejamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Gervásio Castro de Rezende. O sistema utilizado pela Conab para fixar preços mínimo só considerava o plantio convencional, mas a prática do plantio direto cresceu muito e temos de levá-la em conta, comentou o técnico da Conab. Rezende acredita que o governo anuncie as alterações no Plano de Safra na próxima semana.
Rezende esteve reunido ontem na Embrapa-Soja com técnicos do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura, do Iapar e das cooperativas Coamo, Corol e Integrada. Rezende disse que os dados coletados na reunião servirão para subsidiar o Plano de Safra e a fixação dos novos preços mínimos, principalmente do milho.
O diretor de Planejamento da Conab disse que a utilização do plantio direto reduz o preço fixo de produção, uma vez que o emprego de máquinas e equipamentos para o preparo do solo diminui. Mas em contrapartida a utilização de herbicidas aumenta significativamente, observou. Rezende não informou o quanto o custo de produção cai com o plantio direto. Ainda precisamos computar os dados colhidos nas regiões visitadas para sabermos a redução que a técnica proporciona. Esperamos constatar uma grande queda no custo de produção, disse. O técnico da Conab disse que buscou informações em Goiás, Mato Grosso e no Paraná.
Rezende afirmou que a intenção do governo é estabelecer um preço mínimo ao milho que garanta maior espaço para o produto no mercado, sem a necessidade de o próprio governo comprar o grão. Ele disse que a fixação do preço mínimo não leva em conta apenas o custo de produção, mas também uma avalição do mercado.
No caso do milho, disse Rezende, o governo quer estabelecer preços mínimos que garantam a escoamento da safra do Mato Grosso e Goiás sem a necessidade de AGFs. A intenção do governo, segundo o técnico da Conab, e reduzir os preços mínimos para o milho nestes dois Estados para tornar o produto mais competitivo. No caso do Paraná, há uma proposta de manter o atual preço mínimo de R$ 6,70 ou conceder um pequeno aumento. No Mato Grosso, o preço mínimo do milho é de R$ 6,30.


