O prazo limite para o plantio de milho segunda safra encerrou em meados de março. Porém, ainda há localidades que estão terminado a semeadura do grão, principalmente na região Norte do Estado, cujo atraso foi maior devido à prorrogação da safra verão de soja. Só no município de Cornélio Procópio, 30% do plantio foi realizado fora do zoneamento, segundo informações do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Porém, a secretaria já considera o plantio do milho encerrado no Paraná, com apenas pequenas áreas a serem cultivadas.
O último relatório emitido pelo Deral apontou que até o dia 26 de março, 93% da área destinada para o grão tinha sido semeada. No mesmo período do ano passado, toda a área já havia sido plantada. Hugo Godinho, analista do Deral, afirma que plantar fora do zoneamento aumenta os riscos da cultura ser atingida por possíveis geadas que venham a ocorrer no inverno. Além disso, essas áreas têm uma probabilidade maior de ter uma redução na produtividade por causa do plantio em uma época não recomendada, fator que pode interferir no ciclo biológico da planta.
Para não correr riscos, o produtor Valentin Rosolen, de Rolândia (Norte), plantou menos milho neste ano para não semear depois do zoneamento. Ele conta que o atraso ocorreu porque foi obrigado a entrar mais tarde com as plantadeiras no plantio da soja. Ele explica que a forte estiagem que atingiu as principais regiões de cultivo da oleaginosa no Paraná no final do ano passado, prorrogou a semeadura. Logo, com a colheita tardia da soja, Rosolen demorou para começar a semeadura do milho.
"O investimento é alto, por isso não vale a pena correr o risco de plantar fora do zoneamento", previne o agricultor. Neste ciclo ele conseguiu plantar dentro do prazo apenas 110 hectares. Na safra anterior, Rosolen semeou 250 hectares com milho. "Na área em que não consegui plantar, vou substituir por trigo. Além disso, estudo a possibilidade de plantar braquiária ou milheto no restante", observa. Ele espera colher neste ciclo a mesma quantidade de milho produzida na safra passada, que foi 120 sacas por hectare.
Noel Justo de Oliveira, técnico agrícola do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Cornélio Procópio, afirma que muitos agricultores da região reduziram o plantio do milho devido ao curto espaço de tempo destinado para a segunda safra neste ano. Ele reforça que muitos não se arriscaram no plantio do milho, substituindo a cultura pelo trigo.

Mercado

Em março, o preço pago pela saca de milho ao produtor foi maior se comparado a fevereiro. No mês passado, o valor médio fechou em R$ 21,34 a saca, contra R$ 20,80/sc no mês anterior e R$ 23,29/sc em março de 2014. "Os preços, se comparado ao mesmo período do ano passado, estão semelhantes", pondera o analista do Deral, Hugo Godinho.
O especialista explica que o valor atual da saca tem conseguido cobrir o custo variável de produção, que engloba mão de obra, insumos em geral, assistência técnica, entre outros. Em fevereiro, o custo variável para a produção de milho segunda safra foi de R$ 18,68/sc, contra R$ 17,93/sc registrado no mesmo período do ano passado.
O Paraná espera colher neste período 9,98 milhões de toneladas de milho, volume 4% menor no comparativo com a segunda safra 2013/14, quando foram produzidas 10,36 milhões de toneladas do grão. Godinho explica que a estimativa de produção neste ano é menor porque em 2014 a colheita ficou acima da média. "Por isso, colocamos a margem um pouco menor", salienta o especialista. Porém, ele destaca que a safra atual ainda pode ser revista para mais ou para menos de acordo com o desempenho das lavouras.

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