Porto Alegre Um dos fundadores da organização ambientalista Greenpeace, Patrick Moore, defendeu ontem o plantio clandestino de transgênicos no Brasil, dentro do que ele chamou de ''desobediência civil dos produtores''. Moore participou, pela manhã, do 1º Seminário Internacional sobre Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), em Porto Alegre.
''Ao longo da história, as pessoas usaram a desobediência civil quando o Estado toma decisões que estão erradas, injustas, baseadas em mentiras em vez da verdade'', argumentou. Para exemplificar citou as lutas pela liberdade, contra o trabalho infantil e o regime do apartheid na África do Sul. ''Esta é uma situação similar, em que a propaganda e mentiras estão sendo usadas para assustar as pessoas e fazê-las pensar que há algo errado com os OGMs.''
A posição de Moore, que atuou no Greenpeace por sete anos, é oposta à da entidade. A ONG, uma das pioneiras no uso da desobediência civil como forma de pressão política, faz uma cruzada global contra os alimentos transgênicos.
O Greenpeace divulgou nota ontem na qual afirma que Patrick Moore não foi presidente ou diretor do Greenpeace. ''O Greenpeace nasceu em 1971, por uma iniciativa da qual participaram muitas pessoas, entre elas Patrick Moore.'' O Greenpeace afirma também que ele trabalhou para a organização ambientalista durante muitos anos, mas nunca na campanha de OGMs. Quando a campanha de engenharia genética foi criada pela entidade Moore já havia saído. ''Moore nunca chegou a estudar ou publicar qualquer texto relacionado aos transgênicos'', diz a nota.

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