Plantio ainda está indefinido no PR
Guto Rocha
O sobe e desce das cotações internacionais da soja, aliado à alta dos custos de produção está deixando o agricultor indeciso sobre o que e o quanto plantar nesta safra de verão. O economista e consultor da Safras & Mercados, Flávio França Júnior, disse que normalmente neste período do ano os produtores já teriam definido sobre plantar milho ou soja e realizado as compras de insumos. O mercado internacional está voltado para o comportamento do clima nos Estados Unidos, e com isso as cotações tem sofrido grandes oscilações deixando o produto indeciso, comentou.
França Júnior observou que o levantamento feito pela Safras & Mercados em julho indicava uma queda de 5% da área plantada com soja no Brasil, que passaria dos 13.053 milhões de hectares no ano passado para 12.432 milhões ha nesta safra. A produção cairia dos 30,8 milhões de toneladas de soja para 29,5 milhões.
Mas uma recuperação mais expressiva nas cotações do grão em Chicago pode mudar completamente este quadro, comentou. O consultor observou que depois de trabalhar com pequenas altas no inícios desta semana, as cotações voltaram a recuar ontem na Bolsa de Chicago. Os contratos para o mês de maio (mês de entrada da safra brasileira) fecharam ontem com queda de 2,75 pontos, sendo cotados a 493,25 centavos de dólar/bushel (27,215kg). As cotações de maio ainda estão muito baixas para o produtor fechar as contas com lucro, comentou. A queda nas cotações em Chicago foi provocada pela ocorrência de chuvas na região Oeste do Meio-Oeste dos Estados Unidos.
Segundo o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura, Otmar Hubner, disse que no Paraná, segundo o último levamento do Deral, a área com soja pode recuar 2% e o milho crescer 6%. No entanto, o agrônomo observou que se a seca nos Estados Unidos se acentuar, os produtores brasileiros podem se voltar para o plantio da soja.
Hubner observou que a alta dos insumos também afastou os produtores dos balcões das cooperativas por causa dos baixos preços da soja. Segundo o técnico do Deral, os preços dos fertilizantes tiveram uma alta média de 40% de janeiro para cá. Já os defensivos agrícolas ficaram em média 50% mais caros no mesmo período.
O encarregado do departamento de vendas de Insumos, da Cooperativa Integrada de Londrina, Edson Lucas de Oliveira, afirmou que a procura por insumos utilizados na cultura do milho é bem menor do que a venda de produtos utilizado nas lavouras de soja. As vendas estão praticamente paralisadas. o O problema é que na hora que os produtores resolverem comprar poderão ter dificuldades para conseguir os insumos na hora que mais precisar, comentou.





