Plantas daninhas podem causar prejuízo de R$ 9 bilhões por safra
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terça-feira, 28 de agosto de 2018
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
As plantas daninhas têm potencial para causar prejuízos de até R$ 9 bilhões por safra. A estimativa é da Embrapa Soja e foi um dos argumentos utilizados nesta terça-feira (28), durante o XXXI Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, no Rio de Janeiro, para convencer os participantes da necessidade de haver um manejo correto dessas plantas.

"Entre 40% e 45% da área agrícola do Brasil tem algum problema de planta daninha resistente a glifosato. E hoje estão sendo reportados casos de resistência a outros herbicidas também", afirma Ramiro Ovejero, gerente de boas práticas agrícolas da plataforma Intacta 2 Xtend.
Ele ressalta que resistentes ou não, as plantas daninhas competem com a cultura e, se não forem adequadamente manejadas, podem ter impacto de 70% a 80% na produtividade da lavoura.
O gerente lembra que a utilização do herbicida é apenas um dos pilares do manejo. "A gente não pode esquecer da rotação de cultura e da cobertura, que são muito importantes para as culturas tropicais e subtropicais."
Ovejero diz que a resistência está aumentando "de forma drástica" no mundo todo, incluindo os Estados Unidos. "Entre 2003 e 2010, levávamos em média três anos para os acadêmicos reportarem um novo caso de resistência. Agora, isso acontece todos os anos", compara.
O problema é que o produtor não se habitua a agir preventivamente. E não é só no Brasil. "Convencer os agricultores a mudar a forma com que fazem as coisas é a parte mais difícil do meu trabalho", diz Harry Streak, líder global do Centro de Competências de Resistência de Plantas Daninhas da Bayer. "Quando você tem um desastre e precisa consertar, você percebe que o custo é muito maior do que se tivesse feito tudo certo", complementa.
MAIS POTENTE
Na luta contra as plantas daninhas, a Bayer/Monsanto espera fazer o lançamento comercial da soja com a tecnologia Intacta 2 Xtend em 2021. A adição de um gene à semente da oleaginosa faz com que ela seja tolerante ao herbicida dicamba, além do glifosato.
Segundo a fabricante, o dicamba será uma nova solução para o controle de plantas daninhas, principalmente, as de folhas largas como buva, caruru, corda-de-viola e picão-preto, com aplicação desde o pré-plantio até a pós-emergência da cultura, algo inédito no controle de plantas daninhas.
Fábio Passos - gerente de lançamento da plataforma - explica que ela já está em 200 áreas experimentais no Brasil. Como a nova tecnologia não foi aprovada na China, os grãos são colhidos e depois destruídos. A soja recebeu o aval da CTNBio ( Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) em março do ano passado.
LITÍGIO
Quando questionados pelos jornalistas, os executivos da Bayer/Monsanto evitaram se prolongar nos comentários sobre a suspensão de novos registros do herbicida glifosato determinada pela Justiça Federal, no início do mês.
"Nos últimos 40 anos, usamos essa molécula que é considerada segura para o consumo. É uma arma poderosa e segura", afirma Ramiro Ovejero. Ele ressalta que a fabricante não é ré no processo e que o produto está em fase de reavaliação programada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). "Estamos no meio da avaliação que se estende por muito tempo."
A ação movida pelo Ministério Público visa fazer com que a Anvisa apresse esse processo. Se a liminar não for cassada, a comercialização do glifosato pode ser suspensa a partir de 3 de setembro. "Na América do Sul, 90% da área de plantio é plantio direto. O glifosato é quem permite fazer a massa, o colchão necessário para proteger o solo. Temos de ver o produto também por essa perspectiva", afirma o executivo, se referindo ao uso do herbicida para a dessecação do que sobrou de uma lavoura, antes do plantio da próxima.
*O repórter viajou a convite da Bayer/Monsanto.


