Carmem Murara
De Curitiba
Ao contrário do que previam os donos das concessionárias, o movimento de clientes foi fraco no final de semana e ontem na maioria das lojas de Curitiba, segundo avaliação feita pela diretoria regional da Fenabrave (Federação Nacional dos Revendedores de Veículos Automotores). ‘‘O consumidor parece que não acredita que o acordo automotivo vai acabar na quinta-feira’’, disse ontem o presidente da Fenabrave no Paraná, Daniel Russi Filho. Ele afirmou que a partir de quinta-feira, os preços de qualquer modelo zero quilômetro sobem em média 12%.
Russi informou que a tendência de baixo movimento foi verificada tanto em Curitiba quanto nas demais capitais do País. Em São Paulo, o desempenho das vendas foi fraco no final de semana, quando as revendedoras fizeram plantão para esperar uma exurrada de clientes. O trabalho extra foi feito também em Curitiba. Concessionárias como a Servopa ficaram abertas durante todo o domingo, mas com poucos clientes nas lojas, segundo ele.
Na concessionária Corujão o movimento de vendas no final de semana ficou 20% abaixo em relação ao mesmo período no ano passado. Os números são negativos ainda quando a comparação é feita com as vendas em todo o País. No mês de agosto foram vendidos 116 mil carros, enquanto a estimativa para setembro indica que não serão ultrapassadas as 95 mil unidades vendidas, com queda de quase 20%. O pior mês do ano foi fevereiro, quando foram comercializados 88 mil carros.
O que o consumidor não está atento é que desta vez não vai haver prorrogação, como ocorreu nas últimas duas edições do acordo emergencial, ele afirma. O acordo firmado entre governo federal, montadoras e revendedoras garantiu a redução de impostos sobre o setor, tendo a garantia de emprego para os metalúrgicos como contrapartida.
O presidente regional da Fenabrave assegurou que as revendedoras vão reajustar os preços até mesmo dos carros que ficarem no estoque antigo, promovendo uma alta generalizada nos veículos a partir do fim do acordo. ‘‘Teremos que repassar o aumento, pois, caso contrário, não teremos poder de compra para renovar os nossos estoques’’, afirmou.

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