Um novo modelo de plantadeiras que se adaptam às características de topografia onde não é possível eliminar o uso de terraços que protege o solo. Um plano de comercialização no qual o produtor pode trocar leite por trator.
São as novidades apresentadas esta semana, na Expointer (Esteio RS), pela SLC-John Deere, fabricante de máquinas e implementos agrícolas.
O lançamento da plantadeira coincide, não por acaso, com os 35 anos da fabricação da primeira colheitadeira automotriz produzida no Brasil, pela empresa. As duas versões da plantadeira – 909 CT com nove linhas de plantio; e 911, com 11 linhas – foram apresentadas à imprensa pelo diretor comercial da empresa, Martin Mundstock, e pelo gerente de Produto e Mercado, José Luis Coelho.
Segundo Mundstock, a plantadeira possibilita melhor adequação ao plantio direto cruzando ou acompanhando os terraços de base larga. ‘‘Ela pode elevar em 3% a produtividade, pois garante uma germinação uniforme’’, afirmou. Segundo ele, a máquina possui um sistema de pivotamento e de molas que dão maior articulação às linhas para manter o ângulo de ataque ao solo. Um sistema de transferência de peso bloqueia as linhas, permitindo que sejam erguidas para manter vão livre adequado. Com isto, a mesma máquina pode ser utilizada no plantio direto de trigo, soja, arroz e milho, somente com um ajuste manual.
De acordo com José Luis Coelho, as plantadeiras levaram um ano para ser projetadas e foram testadas durante três anos em campos do Sul do Brasil. ‘‘Na verdade, a idéia da máquina surgiu através das reivindicações dos próprios produtores, nas clínicas de campo que a empresa promove’’, explicou. Segundo Coelho, a empresa já formulou dois pedidos de patentes para a plantadeira, no Brasil e no exterior.
Segundo Martin Mundstock, até o final do ano, a empresa pretende comercializar 100 máquinas – a um custo unitário de R$ 30 mil – em todo o Brasil. Mas, nos planos, constam também a exportação, com o Paraguai como primeiro mercado definido. ‘‘O Paraguai tem uma cultura de plantio similar ao do Brasil’’, explicou. Segundo ele, a nova plantadeira deve elevar 30% no volume de vendas de máquinas de plantio. ‘‘Hoje, 35% da área plantada brasileira corresponde ao plantio direto. Mas deve alcançar, nos próximos anos, 65% da área’’, afirmou.
Plano Leite Já o plano de comercialização lançado pela SLC-John Deere, chamado Plano Leite, foi desenvolvido em parceria com as indústrias de laticínios Parmalat, Elegê e Coonae para possibilitar a renovação da frota dos produtores de leite. Inicialmente, o plano já começou a ser aplicado no Rio Grande do Sul e São Paulo mas deve ser estendido, ainda este ano, para outros Estados brasileiros através de parcerias com cooperativas.
Segundo o diretor comercial, o plano Leite é ‘‘simples e bom para todas as partes’’. Cada produtor paga seu trator em 48 prestações fixas, financiado pelo Banco John Deere com taxas de juros de 8,75% ao ano. Para o trator SLC-John Deere 5.600 – o mais procurado pelos produtores de leite do Rio Grande do Sul – o produtor vai disponibilizar cerca de 80 litros/dia de leite, o que equivale a R$ 700 mensais em valores atuais. ‘‘O produtor entrega o leite para ser beneficiado e as indústrias de laticínios repassam o valor fixo do financiamento. Esta talvez seja a única opção para o pequeno produtor renovar seu trator’’, disse Martin Mundstock.
De acordo com Maurício Abreu, zootecnista da Parmalat, no Rio Grande do Sul há um potencial de 100 produtores filiados à Parmalat aderirem ao plano em uma primeira fase. ‘‘A gente está observando alguns critérios para adesão, através de avaliações que estão sendo feitas por técnicos. O primeiro deles é se o produtor precisa mesmo renovar seu trator; segundo, o tipo de cultura produz; e terceiro, quais as condições que tem de assumir este financiamento. O produtor, por exemplo, não pode aplicar mais que 30% de seu renda líquida no financiamento’’, afirmou. Segundo ele, no caso da Parmalat, para participar do plano, o produtor deve ser filiado ao programa da empresa há vários anos.
Martin Mundstock explicou que 20% da frota nacional de tratores está envolvida na produção leiteira. De acordo com ele hoje existem hoje no Brasil 1,2 milhão de produtores de leite que produzem cerca de 22 bilhões de litros/ano, enquanto o consumo anual brasileiro gira em torno de 32 bilhões de litros/ano. ‘‘Nos Estados Unidos, graças a tecnificação, 57 mil produtores produzem 77 bilhões de litros/ano’’, afirmou.

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