São Paulo- Os titulares de poupanças antigas podem ter direito a outras revisões de suas cadernetas diferentes da do Plano Bresser. Além da correção gerada em 1987, podem ser discutidas na Justiça a devolução das perdas ocorridas em 1989, no Plano Verão, e em 1990, no Plano Collor.
Segundo o advogado Alexandre Berthe, é praticamente garantido o ganho de causa nas revisões do Plano Verão.
As perdas do plano foram causadas por uma mudança no índice de rendimento da poupança semelhante à ocorrida no Plano Bresser. Até 15 de janeiro de 1989, o rendimento da poupança era estabelecido pelo Índice de Preço ao Consumidor (IPC) -42,72%, na época. Em 16 de janeiro, o governo determinou que as poupanças passassem a render pela Letra Financeira do Tesouro Nacional (LTF) -22,36%.
O rendimento menor deveria ser aplicado às contas com aniversário a partir do dia 16. No entanto, os bancos acabaram aplicando o rendimento mais baixo a todas as contas, independentemente da data de seu aniversário.
Alexandre Berthe diz que a Justiça já pacificou o entendimento de que o rendimento aplicado às cadernetas com aniversário entre os dias 1º e 15 foi equivocado. A mudança gerou uma perda de 20,36 pontos percentuais, e ela pode ser recuperada agora.
Tem direito à revisão quem tinha saldo em sua caderneta entre janeiro e fevereiro de 1989. A poupança também precisa ter aniversário entre os dias 1º e 15 do mês. De acordo com Berthe, a cada mil cruzados novos depositados na época, o poupador pode receber, aproximadamente, R$ 2.300.
As ações para revisão podem ser ajuizadas nos mesmos locais de onde foram abertas as ações do Plano Bresser. Ações para bancos privados e o Banco do Brasil que não envolvem mais que R$ 7.600 podem ser protocoladas no Juizado Especial Cível ou seus anexos, sem advogado. Já ações contra a Caixa Econômica Federal de até R$ 22.800 devem ser ajuizadas no Juizado Especial Federal, na avenida Paulista, na região central.
Quem ganha menos de três salários mínimos pode procurar as defensorias públicas.Para entrar com a ação, é preciso ter os extratos da poupança dos meses de janeiro e fevereiro de 1989.
Quem tinha caderneta de poupança durante março de 1990 e fevereiro de 1991 também pode pedir revisão do Plano Collor. No entanto, o advogado Danilo Montemurro afirma que essa revisão não é garantida. Nem todos os juízes concedem decisão favorável à devolução do saldo perdido.

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