Planos de saúde têm alta de até 122%
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domingo, 13 de julho de 1997
Fátima Fernandes Agência Folha São Paulo 
Os aumentos de preços dos planos de saúde _ privados, convênios médicos e seguro-saúde _ estão provocando muita dor de cabeça aos conveniados. De julho de 1994 a junho deste ano, os reajustes chegaram a 122,43%, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). A inflação média atingiu 66,95% no período. Não há fiscalização, os contribuintes não têm a quem reclamar, e os planos têm a seu favor a falta de uma assistência eficiente no setor público.
Nos últimos 12 meses, informou a Fipe, os preços das mensalidades dos
planos de saúde também aumentaram bem mais do que a inflação. O reajuste foi 19,21%; a inflação, de 7,08%. Resultado: o número de reclamações de
consumidores insatisfeitos com os aumentos não pára de crescer no Idec
(Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e no Procon-São Paulo. De janeiro a maio deste ano, o Idec registrou 706 queixas de pessoas que consideraram abusivos os aumentos de preços efetuados pelas empresas que administram planos de saúde.
Esse número representou aumento de 9,2% sobre o registrado em igual período de 1996.
Para os especialistas, tanto do setor de saúde, do governo, como do Procon-São Paulo e da Fipe, a variação nas cobranças dos planos de saúde não são consideradas reajustes, mas aumentos reais. Mas os aumentos reais, avisam os especialistas, não são compatíveis com os demais indicadores da economia que caminham dentro de um contexto de estabilidade de preços.
O Idec informa que a média de aumento de preço nos contratos anuais apresentados pelos consumidores varia de 15% a 30%, mas há casos de reajuste de 100%, informou Maria Inês Landini Dolci, advogada do Idec. O Procon-SP registrou, de janeiro a abril, 1.466 reclamações de aumentos abusivos de preços das empresas de planos de saúde. A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que reúne 260 empresas, informa que os aumentos de preços em 1996 superaram, de fato, a inflação do período _variaram de 20% a 29%.
Segundo Arlindo de Almeida, presidente da Abramge, os reajustes efetuados neste ano pelas empresas deverão variar de 8% a 10%. As empresas de
seguro-saúde foram autorizadas, em 1997, pela Susep (Superintendência de Seguros Privados) a reajustar os contratos anuais _até junho de 1998_
entre 10,52% e 13,53% a partir deste mês.
No bolso Oswaldo Martinez, 60, aposentado, paga R$ 120,00 pelo seu plano de saúde executivo _ que inclui sua mulher _ da Sul América. Ele disse que essa mensalidade dói no bolso, mas ainda assim se sente beneficiado porque parte do pagamento é paga pela empresa na qual trabalhou 30 anos _ a Goodyear. Pago caro pelo plano de saúde, mas poderia gastar o dobro se não estivesse ligado a uma empresa. Ele lembra que até outubro de 1996 a
mensalidade era de cerca de R$ 50,00.
Antoninho dos Reis, 52, aposentado da Ford, paga para ele e a mulher R$
170,00 por mês pelo plano básico da Sul América. O reajuste de seu
contrato _ de 21,4%_ foi feito em maio. Não reclamo do atendimento, mas do preço. Na opinião de Antonio dos Reis, o setor não tem concorrência. As empresas agem como oligopólis e, portanto, aumentam os preços sem parcimônia. Os usuários também se queixam da ausência de fiscalização por parte do governo. E não sabem a que órgão cabe à fiscalizçaão.
A Sul América informa que a empresa foi autorizada pela Susep
(Superintendência de Seguros Privados) a aumentar em 24,83% os contratos vencidos no período julho de 1996 a junho de 1997. A partir deste mês, o aumento dos contratos, já autorizado pela Susep para a Sul América, é de 12,67%, informou Júlio Bierrenbach, vice-presidente.


