Seis em cada dez usuários de plano de saúde no País tiveram experiência negativa com os serviços oferecidos em 2010. Tal dado foi revelado ontem através de uma pesquisa em 145 municípios encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para avaliar o atendimento e a satisfação dos clientes. Como não há dados regionalizados, a FOLHA consultou os Procons de Curitiba e Londrina para saber quais são as principais dúvidas e reclamações contra as operadoras nas duas principais cidades do Estado. E o resultado não é muito diferente.
No ano passado, na Capital, foram 1.805 atendimentos realizados pela entidade, sendo recordista as reclamações sobre cobranças indevidas (506), seguidas dos negativos de cobertura (256) e mau atendimento (118). O número é um pouco abaixo do que o de 2009 (2.045). Já em 2011, 718 atendimentos foram realizados até agora e as dúvidas sobre cobranças (185) continuam dominando.
Em Londrina, as reclamações também são significativas. Em 2009, foram 153 queixas, com liderança dos problemas contratuais (34). Em 2010, os números fecharam em 152, sendo que as reclamações sobre negativo de cobertura (27) dominaram. Neste ano, entre 1º de janeiro e 20 de junho, 43 atendimentos foram computados no sistema do Procon, com prevalência para mau atendimento (8).
Queixas dos médicos
De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), as operadoras realizaram um reajuste de valores para os pacientes de 136% nos últimos dez anos. Entretanto, os médicos se queixam que não há um repasse destes valores nas consultas. Com isso, os profissionais estão pedindo o descredenciamento das operadoras. ''As operadoras deveriam respeitar quem presta serviço a eles. Em todo o País, o maior aumento na consulta foi de 44%. No final, a consulta está saindo para o médico por R$ 30. Me diga quem trabalha por este valor?'', questiona José Fernando Macedo, presidente da Associação Médica do Paraná (AMP).
O conselheiro do CFM, Herman Von Tiesenhausen, explica que a medicina suplementar possui 45,5 milhões de usuários e 160 mil médicos. Ele comenta que com o avanço econômico das classes C e D, os clientes estão aumentando junto com este mercado. ''Porém, não está ocorrendo um aumento dos médicos nem da rede hospitalar, o que piora o serviço. Há casos de pacientes com plano de saúde aguardarem no pronto atendimento por volta de três horas, o mesmo tempo de uma fila do SUS. Este é um problema generalizado no Brasil'', avalia o conselheiro.
Para Tiesenhausen, uma das melhores saídas para incrementar este serviço é ampliar a rede e a remuneração dos médicos. ''A média nacional por consulta paga pelas operadoras é de R$ 40. A ANS deve fazer uma fiscalização mais efetiva frente a elas. Deste jeito, não vai mais compensar para os profissional abrir um consultório''.
José Macedo ressalta que a classe está realizando assembleias para que medidas sejam tomadas. Ele relata que já enviaram cartas para todas as operadoras, e apenas uma respondeu, propondo um aumento de 11%. No Paraná, segundo o presidente da AMP, em cidades como Ivaiporã, União da Vitória e Foz do Iguaçu, os médicos estão pedindo o descredenciamento das operadoras, com o objetivo de poder regular o preço das consultas. ''Desta forma, o cliente vai até a empresa e pede o reembolso. Os pacientes acabam passando por dificuldade para serem atendidos porque os médicos têm que atender todos proporcionalmente''.
A FOLHA entrou em contato com a Associação Brasileira de Medicina em Grupo (Abramge), mas a assessoria de imprensa disse que o presidente da entidade não poderia comentar sobre a pesquisa porque estava em reunião no Rio de Janeiro.

mockup