São Paulo Está cada vez mais difícil sentir-se seguro em relação ao sistema de saúde brasileiro. Até quem tem um plano de saúde privado não está livre da precariedade, quando não da recusa do atendimento. É o que apontam a pesquisa feita a pedido da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Associação Paulista de Medicina (APM) e o ranking de reclamações do Procon-SP.
De acordo com o presidente da AMB, Eleuses Vieira de Paiva, o levantamento mostra a insatisfação de médicos e pacientes em relação às administradoras de planos, principalmente em relação às restrições e limitações de procedimentos médicos. ''Os dados coletados deixam claro que os médicos são pressionados pelas operadoras e, consequentemente, a qualidade do atendimento prestado ao paciente é reduzida.''
Durante a pesquisa, foram realizadas 2.160 entrevistas em todas as regiões do País, explica Paiva. Desse total, 1% dos médicos consideraram os planos de saúde ótimos; 11%, bons; 44%, regulares; e 44%, ruins ou péssimos. Mas o mais relevante, na opinião do presidente da AMB, é que 93% dos participantes informaram estar sofrendo interferência com grande intensidade na sua autonomia como médico. Hoje, algumas empresas chegam a exigir redução do tempo de internação do paciente, além de não autorizarem tratamento de doenças preexistentes e execução de procedimentos pré-operatórios, comenta Paiva.
A técnica da área de Saúde do Procon-SP Hilma Araújo dos Santos entende que os dados divulgados pela AMB confirmam os problemas enfrentados pelos consumidores que procuram o organismo. De janeiro a maio deste ano, o Procon-SP recebeu 4.258 consultas sobre problemas com planos. Dessas, foram registradas 186 queixas de rescisão contratual ou alteração de contrato; 473 de não-cobertura de procedimento; 158 de reajuste por faixa etária; e 29 por recusa e mau atendimento. Além disso, entre as 10 empresas com maior número de reclamações no Procon estão a Amil e a Samcil, que ficaram em primeiro e segundo lugar na lista de piores planos de São Paulo na pesquisa da AMB.
No entanto, para o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida, não há consistência na pesquisa. ''As empresas ainda estão esperando o fornecimento da metodologia usada no levantamento dos dados para tentar entender os resultados divulgados.''
De acordo com nota oficial divulgada pela Amil, a empresa estranha as conclusões, uma vez que mantém bom relacionamento com a rede credenciada, alega. A nota esclarece também que a satisfação dos associados foi confirmada por recente pesquisa que colocou a Amil em primeiro lugar na preferência dos paulistanos.
Ainda assim, o associado que estiver tendo problema com seu plano pode registrar queixa na Abramge (0800-117511), na AMB (www.amb.org.br), na APM (www.apm.org.br) e no Procon-SP (1512).

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