Plano safra terá R$ 100 bi, confirma ministro da Agricultura
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Gustavo Porto<br> Agência Estado 
Ribeirão Preto - O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, confirmou ontem que o governo destinará cerca de R$ 100 bilhões em recursos para o Plano de Safra 2010/2011, previsto para ser anunciado na segunda quinzena de junho. Em discurso ontem, na abertura do Agrishow 2010, em Ribeirão Preto (SP), Rossi também fez duras críticas a ambientalistas. ''Não venham nos dar aulas de como preservar meio ambiente de dentro de salões da elite e dos shoppings centers de São Paulo. Venham colocar o pé no barro'', afirmou, além de defender que o discurso sobre o meio ambiente seja transformado em prática agronômica. Para ele, quem pode defender o meio ambiente é quem vive nele: o agricultor.
O valor que o governo destinará para a safra, já adiantado por Rossi em entrevista à Agência Estado, deve ficar perto dos R$ 95 bilhões da safra atual, dos quais cerca de 10% não serão tomados pelos produtores. ''O recurso oferecido (em 2009/2010) não foi totalmente tomado, primeiro pelo nível de endividamento do produtor, já que muitos perderam a capacidade de financiamento, e ainda porque muitos produtos estiveram em uma faixa de preço razoável e não precisaram de grande apoio'', afirmou o ministro.
Em um discurso no qual citou várias vezes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Rossi salientou que os recursos destinados ao financiamento agrícola saltou de R$ 22 bilhões, em 2003, para quase R$ 100 bilhões neste ano que será o último ano de mandato de Lula. ''O presidente Lula multiplicou os recursos colocados à disposição do agricultor e aumentou mais de dez vezes o volume de apoio à comercialização'', afirmou o ministro.
Na atual safra 2009/2010, os recursos para comercialização, que começaram a ser liberados agora, devem somar R$ 5,2 bilhões, valor que ainda pode crescer por meio de novos aportes orçamentários, ante R$ 5,1 bilhões da safra passada já com os recursos extras liberados.
Segundo o ministro, recursos já anunciados para apoio à comercialização de arroz, feijão e milho devem começar a ser repassados na próxima semana. ''Devemos liberar ainda este mês operações para trigo e avaliamos outros produtos bem de perto, que ainda não precisam de apoio, como algodão e soja, pois estão acima do preço mínimo'', explicou Rossi.
No discurso de abertura da Agrishow, cerimônia na qual estiveram presentes seus três antecessores - respectivamente Reinhold Stephanes, Luís Carlos Guedes Pinto e Roberto Rodrigues - Rossi fez duras críticas aos ambientalistas e chegou a defender o plantio de florestas exóticas como salvação das florestas naturais.
A Agrishow 2010 deve receber, até sexta-feira (30), cerca de 140 mil visitantes, dos quais 4 mil estrangeiros. São 730 expositores, de 45 países, que utilizarão uma área de 360 mil metros quadrados, além de 800 demonstrações de campo das máquinas e equipamentos.
A edição deste ano deve registrar vendas de máquinas e implementos nos mesmos níveis de 2008, com o retorno de montadoras como AGCO, CNH, John Deere, todas filiadas à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
No ano passado, todas elas boicotaram a feira e usaram a crise econômica como motivo oficial para a ausência, apesar de o descontentamento sobre o futuro incerto do local de realização da feira ter sido decisivo. Com isso, os negócios, que movimentaram R$ 860 milhões em 2008, caíram para R$ 680 milhões no ano passado.


