A redução em 10% no valor dos preços mínimos do feijão no Plano Safra 2011/12 foi recebido pelos produtores paranaenses como um desestímulo ao setor. A notícia, divulgada pelo governo na semana passada, passa de R$ 80 para R$ 72 o valor mínimo pago aos produtores. Segundo Marcelo Eduardo Luders, analista de mercado da corretora de mercadorias Correpar de Curitiba, a redução é uma estratégia do governo para regular o setor, principalmente no controle da inflação, mas, segundo ele, quem pagará por isso será o produtor.
Luders explica que os R$ 72 pagos aos agricultores não são suficientes para cobrir os custos de produção. ''Os custos dependem muito da produtividade de uma lavoura, ou seja, quem tem um índice elevado consegue melhores preços, mas os que não têm, como os pequenos agricultores, deverão sofrer com essa redução'', aponta o especialista da Correpar.
Eduardo Medeiros, produtor da região de Castro, vê essa redução como um descaso. ''Essa é uma medida unilateral do governo, pois eles não consultam os agricultores, o que nos desmotiva. Isso é reflexo da falta de uma política agrícola séria'', desabafa. Medeiros completa que o setor produtivo está nas mãos do governo. ''Todo ano eles anunciam uma política agrícola diferente'', completa.
A queda no valor dos preços mínimos, segundo Medeiros, deve afetar diretamente o bolso do agricultor. Entretanto, acrescenta que grande parte dos produtores de feijão fazem rotação com outro tipo de cultura, como soja e milho. Ele observa que se não fosse essa alternativa, certamente iria ter prejuízos nesse ano. ''Não temos segurança de preços e, para piorar, possuímos um sistema de crédito agrícola insuficiente que não nos ajuda'', completa o produtor.
Medeiros aponta que no ano passado, o preço do feijão chegou a R$ 45 a saca. ''Por causa disso, muitos produtores deixaram de plantar porque o preço estava muito baixo, o que resultou na elevação dos preços neste ano por causa da baixa oferta no mercado''. O agricultor acrescenta que as medidas tomadas pelo governo em 2010, como a compra do grão, de nada adiantou porque foi muito tarde. Hoje, segundo ele, os preços melhoraram e já está conseguindo vender a saca por R$ 95.
Uma das soluções apontadas por ele para estabilizar preços seria investir em um sistema de armazenagem eficiente, pelo qual o produtor pudesse vender o grão quando os preços estivessem mais favoráveis.
Privilegiados
Luders explica que somente uma parte dos produtores conseguem o benefício dos preços mínimos. ''Esses valores, na maioria das vezes, são divulgados no mês de março, mas há produtores que colhem em dezembro. Não tendo como estocar, o produtor vende a preço de mercado, que pode ser abaixo do mínimo. O benefício é lei, mas não chega a todos'', enfatiza. Luders completa que o valor dos preços mínimos precisa sair no início do ano para fomentar o setor.
O produtor de feijão de Castro acrescenta que é necessário a criação de um preço mínimo regional. Isso, segundo Medeiros, porque cada região possui uma realidade diferente, ou seja, os custos de produção e a produtividade podem variar muito, afetando diretamente as negociações. Ele opina que o Paraná deveria criar uma câmara setorial, junto à Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná para discutir e pressionar o governo por um política mais justa.

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