Um ponto positivo apontado pela Ocepar foi a elevação dos valores dos preços mínimos de produtos agrícolas: a saca de 60 quilos do milho, por exemplo, com ajuste de 13,37%, passou de R$ 21,62 para R$ 24,51
Um ponto positivo apontado pela Ocepar foi a elevação dos valores dos preços mínimos de produtos agrícolas: a saca de 60 quilos do milho, por exemplo, com ajuste de 13,37%, passou de R$ 21,62 para R$ 24,51 | Foto: Anderson Coelho/15-10-2018

Em linhas gerais, o Plano Safra 2019/2020 divulgado na semana passada pelo governo federal agradou as entidades do setor agropecuário. Tanto a Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) quanto a Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná) entendem que os valores anunciados expressam a situação econômica do país.

O Plano Safra terá R$ 222,74 bilhões em crédito rural para o financiamento de produtores e pecuaristas. O valor deste ano soma o crédito destinado ao Pronaf ((Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar).

Do total de crédito anunciado, R$ 169,33 bilhões serão destinados para crédito de custeio e R$ 53,41 bilhões para investimentos, segundo o Ministério da Agricultura. Os juros do crédito de custeio variam de 3% a 8% ao ano, dependendo do porte do produtor. As taxas de investimento serão entre 3% a.a. e 10,5% a.a. Os programas de apoio à comercialização em 2019/20 totalizam R$ 1,85 bilhão.

O Plano, na análise da Ocepar, é satisfatório, mas tem pontos de atenção como por exemplo, a taxa de juros para os grandes produtores que subiu um ponto percentual e a oferta de créditos (R$ 69 bilhões) por meio das LCAs ( Letras de Crédito do Agronegócio). O valor será contratado por taxas livre de mercado.

A elevação da taxa de juros de 7% para 8% a.a atinge as cooperativas e foi considerado um ponto destoante, pois a taxa básica de juros está em 6,5%. Na reunião do Copom (Comitê de Políticas Monetárias) realizada na quarta-feira (19), o Banco Central manteve a Selic e o mercado financeiro acredita que a taxa básica deve fechar o ano em 5,75%.

“O pleito do setor era que fossem mantidos os recursos da poupança rural [ao invés da LCAs] e taxas de juros mais baixas. O governo tem uma política econômica mais liberal e sem depender tanto do governo”, avaliou Maiko Zanella, analista de Desenvolvimento Técnico da Ocepar.

Para o coordenador do departamento técnico e econômico da Faep, Jefrey Keine Albers, apesar da elevação da taxa de juros, o percentual não inviabiliza as contratações e o impacto no custo de produção pode ser absorvido por situações de mercado e cotação do dólar.

LINHAS DE CRÉDITO

Albers também considerou o plano positivo diante a situação econômica, mas afirmou que a Federação esperava um volume maior de recursos para o Moderfrota. O governo destinou R$ 9,6 bilhões a linha de financiamento.

O valor destinado ao Prodecoop (Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária), voltado para financiamento das agroindústrias, é considerado insuficiente para atender a demanda, segundo a Ocepar. “Só a demanda do Paraná é de R$ 2 bilhões. O montante na linha [de financiamento] não vai atender a demanda do setor”, afirmou Zanella.

Um ponto positivo apontado pela Ocepar foi a elevação dos valores dos preços mínimos de produtos agrícolas: a saca de 60 quilos do milho, por exemplo, com ajuste de 13,37%, passou de R$ 21,62 para R$ 24,51; a soja teve reajuste de 14,77%, de R$ 37,71 para R$ 43,28, o feijão carioca passou de R$ 85,50 para R$ 94,50, com reajuste de 10,18%, e o preto foi de R$ 77,48 para R$ 87,12 por saca, com correção de 12,44%.

PRONAF

O valor do Plano Safra deste ano soma o crédito destinado ao Pronaf, que é de R$ 31,22 bilhões, por causa da mudança na estrutura do ministério feita pelo governo de Jair Bolsonaro. "O Pronaf tem possibilidade de financiar moradias rurais", disse Eduardo Sampaio, secretário de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura, durante o lançamento do programa na terça-feira passada (18). "Para os programas de investimento, haverá aumento substancial de recurso para melhoria de propriedade e sistema de produção", acrescentou.

Ele lembrou que o setor de pesca e aquicultura foi incorporado ao Plano Safra. "Outra mudança importante é que produtor fica autorizado a apresentar parte do patrimônio para acesso a financiamento", ressaltou o secretário.

SEGURO RURAL

O programa de subvenção ao seguro rural terá R$ 1 bilhão. O ministério da Agricultura estima que a área segurada alcance 15,6 milhões de hectares, com mais de 212 mil apólices. A proposta encaminhada ao governo pela Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná) e a Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento), previa R$ 1,2 bilhão para o seguro agrícola.

Segundo o coordenador do departamento técnico e econômico da Faep, Jefrey Keine Albers, o valor destinado mostra que o governo entende a importância do produto para o setor. “O seguro é uma válvula de escape para a gestão de risco do produtor e o valor sinaliza que o governo entende a importância do seguro”, disse. Albers.

Ele afirmou ainda que o volume de recursos atende o mercado. No plano anterior, o valor previsto foi de R$ 600 milhões e foram liberados R$ 440 milhões. Os recursos do Plano Safra poderão ser solicitados entre o próximo dia 1º de julho e 30 de junho de 2020. (Com Agência Estado)

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