São Paulo - O Plano Agrícola e Pecuário 2005/2006 (Plano Safra) vai disponibilizar R$ 53,35 bilhões em crédito rural para a próxima safra, sendo R$ 44,35 bilhões para a agricultura comercial e R$ 9 bilhões para a agricultura familiar, o que representa um crescimento de 12,4% sobre o volume de recursos da safra 2004/2005. O anúncio foi feito ontem, durante o 4º Congresso Brasileiro de Agribusiness, promovido pela Associação Brasileira de Agribusiness (Abag).
''Dos recursos para a agricultura comercial, serão destacados para o custeio R$ 32,2 bilhões, o que representa um aumento de 15% em relação ao volume programado para a safra 2004/2005, que se encerra na semana que vem'', destacou o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin.
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, destacou que o novo Plano beneficiará produtores rurais que tenham preocupações ambientais e com o desenvolvimento sustentável. Também terá 15% de crédito complementar quem estiver trabalhando com rastreabilidade animal - a localização do gado por chip.
Apesar de cientes das dificuldades orçamentárias do governo, integrantes da bancada ruralista saíram otimistas ontem do Palácio do Planalto após reunião com o presidente Lula, na qual cobraram, mais uma vez, ajuda aos produtores endividados. Na prática, não há nada formalizado, mas a promessa de que na semana que vem o ministro da Agricultura apresentará nova proposta ao setor já amenizou as críticas dos ruralistas.
Presente à reunião, o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, disse que o governo precisa apressar uma definição sobre o tema. ''Não podem maquiar a crise, sinalizando apenas para 2005 e 2006 porque seria um desrespeito a todos aqueles produtores rurais que estão inadimplentes.''
Os ruralistas alegam que o ano foi recheado de prejuízos ao setor, principalmente devido à seca no Sul. Eles reclamam também da queda do preço de alguns produtos e da falta de infra-estrutura para o escoamento da produção. Uma das reivindicações dos produtores é a criação de um fundo para que suas dívidas possam ser renegociadas.

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