Plano Real completa 14 anos
O tempo passa rápido e o Plano Real está completando 14 anos. Para quem não está preocupado e não dá a devida importância para isso, é só lembrar que, antes da implantação do plano, no governo do ex-presidente José Sarney, a inflação chegou a ser de 80% ao mês. Uma situação impensável hoje em dia, mas que precisa ser recordada até por medida de segurança.
O jornalista econômico Joelmir Betting lembra que o Plano Real veio ao mundo quatro meses antes, 1º de março de 1994. ''Foi o dia da estréia da URV - Unidade Real de Vendas. Uma fantástica engenharia monetária para tentar o desmanche da indexação inflacionária, com direito a IGP-DI de 1 quatrilhão. Durante quatro meses de gestação, a URV acabou dando à luz, em 1º de julho de 1994, a moeda real, no lugar do cruzeiro podre. Um parto natural, sem aviso prévio'', disse ele em sua coluna eletrônica esta semana.
O Plano Real conseguiu o que os planos Bresser, Cruzado 1 e Cruzado 2 não foram capazes de fazer: reduzir a inflação a índices de primeiro mundo. Os reajustes que chegaram a ser de 3% ao dia passaram a 3% por ano. Por isto que todos estão muito preocupados com as altas de preços que vêm sendo verificadas nas últimas semanas.
''A nossa preocupação é que o governo perca as rédeas da economia'', diz o vice-presidente do Sescap-Ldr, Marcelo Odetto Esquiante. Segundo ele, há vários pontos que a equipe econômica do governo precisa ficar atenta. Entre elas a liberação quase que indiscriminada de crédito, com desconto em folha de pagamento, que acabou endividando muita gente. O mesmo ocorreu com os aposentados que, seduzidos pelo crédito fácil, com desconto direto no benefício da aposentadoria, viram seus rendimentos comprometidos.
Outro ponto importante é a questão dos gastos públicos. O governo em nenhum momento dá demonstrações que quer reduzir seus gastos e, sempre que não há dinheiro em caixa, o governo recorre à criação de novos tributos ou ao aumento dos já existentes.
''Por mais que se queira, quando se gasta mais do que se arrecada, a conta não fecha. É um princípio contábil imutável. E isto acaba gerando mais inflação pois o governo vai para o mercado atrás de dinheiro não produtivo'', diz Esquiante.
O vice-presidente do Sescap-Ldr lembra ainda que está havendo uma alta considerável nos preços da cesta básica, afetando principalmente as famílias de baixa renda. Segundo ele, nos países desenvolvidos, a agricultura recebe recursos subsidiados do governo até porque a produção de alimentos é essencial. ''O Brasil é um grande produtor de alimentos. Sabemos que a questão dos preços é mundial. Porém, é preciso encontrar uma forma de proteger os nossos produtores rurais e baratear a comida. O que mais pesa na produção de alimentos são os insumos agrícolas, principalmente os fertilizantes que dobraram de preço da última safra para cá. E estas empresas, em sua maioria, são multinacionais que trabalham com preços internacionais. O governo brasileiro precisa incentivar empresas locais para baratear este custo. Os alimentos impactam seriamente na inflação'', comenta
Esquiante.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr





